Caso Marco Lengler: defesa do acusado se manifesta
Nesta semana, o programa Caso de Polícia, transmitido pela Uirapuru, voltou no tempo e relembrou o assassinato de Marco Aurélio Lengler. A irmã da vítima procurou nossa reportagem, pediu justiça e prisão do acusado.
Após o caso voltar a repercutir, a defesa do acusado se manifestou através da nota abaixo.
Confira na íntegra:
“O Escritório Cavalcanti, Pinheiro & Viuniski Advocacia Criminal, que promove a defesa do senhor Claudir Pereira, em atenção a nova manifestação dos familiares de Marco Aurélio Lengler, nos meios de comunicação, vem apresentar a seguinte nota à imprensa.
Pois bem, em meados de 2019, os familiares do senhor Marco Aurélio se manifestaram da mesma forma que fazem atualmente. Naquela oportunidade, também entendemos pelo direito de resposta, situação que se repete agora.
Respeitamos a dor dos familiares do senhor Marco, do contrário, não seríamos humanos. Atuamos no júri popular há muitos anos e, atacar a família de uma vítima, nunca fez parte da nossa atuação. Da mesma forma, Claudir e seus familiares também sempre respeitaram os familiares de Marco.
De outro lado, não visualizamos a mesma cordialidade por parte dos familiares do senhor Marco que, de uma forma ou de outra, criticam o trabalho da Policia Civil local, do Ministério Público e Judiciário. Também, de certa forma, atacam o senhor Claudir e seus familiares, insinuando que seguem suas vidas como se nada tivesse ocorrido.
Diferente do que muitos pensam, a vida do senhor Claudir e da sua família não segue o fluxo normal. Todos sofrem até hoje com o ocorrido. O senhor Claudir trabalha fora da cidade de Passo Fundo; passa semanas sem vir para casa. Realiza acompanhamento psicológico desde a época dos fatos.
Não estamos falando de um bandido, bem ao contrário; se trata de um homem trabalhador e honesto. Nunca imaginou que estaria passando por tal situação.
Como dito anteriormente, a família do senhor Marco questiona a atuação da Polícia Civil e do Ministério Público, mas é importante que se diga: não foi comprovada a participação de outras pessoas no ocorrido; não houve nenhum elemento a justificar qualquer causa que pudesse qualificar o crime de homicídio e, por isso, o senhor Claudir está respondendo ao processo por homicídio simples, que prevê pena de 6 a 20 anos.
Ademais, da mesma forma, nunca houve motivos para a Polícia Civil ou Ministério Público requererem a prisão preventiva de Claudir. Por isso, ele está respondendo em liberdade e assim continuará, pois é um direito dele.
Além disso, não há o que se falar em inércia do poder judiciário. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público no prazo legal e a resposta à acusação da mesma forma por esta defesa.
No mais, em 2019 não ocorreu a audiência por ausência de pauta na 1ª Vara Criminal e, de 2020 para cá, o ato não ocorreu por conta do atual momento pandêmico.
A defesa ainda ressalta que não há o que se falar em prescrição, pois o crime de homicídio prescreve em 20 anos. No tocante ao fato propriamente dito, antecipamos que, quanto ao vídeo divulgado, existem momentos totalmente distintos: tudo iniciou com inúmeras ofensas proferidas por Marco; após, de fato Claudir foi até a frente do apartamento de Marco com uma faca, todavia, nessa oportunidade não ocorreu o suposto homicídio, o qual somente foi se consumar em um terceiro momento.
No mais, a defesa técnica não irá antecipar qualquer argumento defensivo, o qual será devidamente apresentado futuramente.
Fabrício Lorandi Pinheiro
Advogado Criminalista
OAB/RS 102.171″