Justiça vende mais imóveis da Semeato, mas juiz informa que recursos da empresa e de sindicato impedem liberação imediata do dinheiro
Diariamente a Uirapuru recebe mensagens de ouvintes aflitos pedindo como está a situação dos antigos funcionários da Semeato, que encerrou atividades e contratos trabalhistas, sendo que muitos trabalhadores não receberam ainda as rescisões e até mesmo férias. Hoje a Semeato ainda está em atividade na cidade, tendo um quadro estimado de funcionários que gira entre 400 e 500 pessoas.
Em março deste ano houve a terceira fase do leilão de bens da empresa para garantir os pagamentos atrasados aos funcionários e agora a Uirapuru foi informada pela Justiça do Trabalho de que a quarta rodada de leilões foi encerrada, culminando assim em um total de R$6 milhões e 300 mil Reais arrecadados com a venda de imóveis da empresa.
Nesta última rodada foi vendida a fábrica 4, que fica na BR 285, sendo somente ela no valor de R$ 3 milhões e 900 mil Reais. A notícia trouxe esperança para muitas pessoas que aguardam o recebimento dos valores, porém, isso não será imediato. Em entrevista na Uirapuru o Juiz Da 3ª Vara Trabalhista de Passo Fundo, Dr. Marcelo Caon Pereira, explicou que há recursos da Semeato e do Sindicato dos Metalúrgicos contestando as vendas e isso impede a liberação imediata dos recursos.
Destacou que a sua decisão, por tanto, não é a última e os recursos serão julgados em Porto Alegre. Disse que a oposição do próprio Sindicato dos Metalúrgicos causa estranheza, sendo que eles discutem se os alvarás serão expedidos para cada um dos trabalhadores, no nome de advogados do sindicato ou no do próprio sindicato. O sindicato também tem a pretensão de vender a totalidade da empresa e não alguns bens fracionados.
O juiz Marcelo Caon Pereira disse que já decidiu improcedente para todos estes recursos aqui em Passo Fundo, mas lembrou que agora a situação foi para outra instância, em Porto Alegre. Se por acaso os desembargadores em Porto Alegre decidirem que as decisões tomadas em Passo Fundo não forem as corretas, o juiz precisa desfazer as vendas e devolver o dinheiro com as vendas anuladas. Desta forma o dinheiro não poderá ser liberado. O juiz acredita que o recurso em Porto Alegre deve ser julgado por volta do final deste ano ou no início de 2021, mas reforçou que agora os ex-funcionários podem apenas esperar a decisão final.
Ouça a entrevista com o Juiz Da 3ª Vara Trabalhista de Passo Fundo, Dr. Marcelo Caon Pereira:
Atualmente há dívidas com os ex-trabalhadores pela empresa na casa dos R$ 120 milhões de Reais. O juiz acredita que há condições de levantar este valor, se as vendas ocorrerem.