Zeca Camargo participa da primeira conferência da Jornada
“Eu tenho certeza de que as conversas que lá tivermos vão ser capazes de nos jogar muito além dos limites do real”. Essa é a expectativa do jornalista e escritor Zeca Camargo sobre a sua participação na 16ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo/RS. Zeca apresentará, durante a Jornada, suas percepções em relação a “Literatura e imagem: além dos limites do real”. Esse será o tema central da primeira conferência da Jornada, na noite do dia 3 de outubro, no Espaço Suassuna, ao lado dos também escritores Pedro Gabriel, Rafael Coutinho e Roger Mello.
As múltiplas possibilidades da leitura, em especial a leitura da imagem, estarão entre os grandes debates da Jornada. Para Zeca, a leitura é sempre um ponto de partida. E, segundo ele, têm, no seu infinito, um poder limitado: seu domínio é o das palavras. “Somos nós que, como leitores, criamos o resto – um novo real, se preferir, a partir daquele que elas (as palavras) nos oferecem. Se a literatura que temos diante de nós parte do real ou de um universo completamente imaginado, não importa. Somos capazes de desenvolver muitas realidades além dela”, observa o escritor.
Entre as obras indicadas de Zeca para a Jornada, estão: “1000 lugares fantásticos no Brasil”; “Isso aqui é seu Novos olhares”; e “De A-ha a U2”. O escritor comenta como começou a escrever livros. “Jornalista tem que gostar de escrever, né? Mesmo na televisão, fazer uma reportagem envolve a criação de um texto. A prática só aumentou essa relação. Os primeiros livros que escrevi eram, na verdade, grandes reportagens – e eu trouxe um pouco disso para as crônicas e para as tentativas de ficção que tenho feito. É um ‘ofício’, como a gente brinca, um desdobramento natural da nossa maneira de observar o mundo”, revela o jornalista.
Dieta mental
A comunicação e a literatura têm uma relação muito próxima. Zeca comenta que, quando a discussão sobre ‘como escrever melhor’ surge com os seus alunos de jornalismo, sua resposta é simples: “Lendo mais! Nossa dieta mental do dia a dia envolve sempre algum texto – do jornalismo à crônica, passando, claro, pelo whatsapp… Mas é na literatura que refinamos nossa comunicação – se não para diretamente crescermos na nossa conversa e no nosso pensamento, ao menos para abrirmos nosso leque de assuntos e temas. Uma coisa alimenta a outra”, destaca Zeca.
Encontrar textos sedutores é a maior dificuldade para formar leitores. Segundo o jornalista e escritor, as leituras “obrigatórias” muitas vezes assustam crianças e adolescentes. O importante é não desistir. “É preciso paciência e perseverança na maioria das vezes. Mas, encontrando um bom texto, acessível e fascinante, já ganhamos esse desafio. Eu sempre procuro escrever cada parágrafo como se fosse um capítulo das ‘Mil e uma noites’: o leitor tem que ter a curiosidade de querer saber onde aquela história vai levá-lo”, comenta o escritor.
Inspirações
Vários autores inspiram ou inspiraram Zeca durante a vida dele. O jornalista revela que a primeira paixão foi Agatha Christie, “porta de entrada” para os livros. “Antes era uma paixão casual – como quando eu encontrava um primeiro capítulo que começava: ‘Era no tempo do rei’… (“Memórias de um sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida)”, relembra o escritor.
Mas, conforme ele, os gostos mudam. “Já me apaixonei por narrativas de autores indianos, como Salman Rushdie e Rohinton Mistry. Já tive minha fase Patricia Highsmith. Hoje, leio qualquer coisa que Edward St. Albin escrever – e sempre releio um Eça de Queiroz de vez em quando… Mas um autor que nunca deixa de me encantar é Ian McEwan – pela maneira como escreve, pela estrutura que dá às suas histórias e pela maneira com que sempre nos surpreende”, pontua Zeca.
Expectativa para a Jornada
As Jornadas Literárias acontecem há 36 anos. Nesta edição, uma das homenageadas é Clarice Lispector, uma das grandes escritoras brasileiras. Clarice também é muito especial para Zeca Camargo, que relembrou algumas obras marcantes da autora, como “O ovo e a galinha” (conto de “A legião estrangeira”) e “A paixão segundo GH”. “Pelas sensações que ela sempre me provocou, fico extremamente feliz de participar de uma Jornada que a homenageia entre nomes tão fortes da literatura brasileira”, comentou Zeca.
Sobre a Jornada, o jornalista afirmou que é um encontro de uma força enorme para o universo dos livros no Brasil. “Fiquei bem feliz com o convite para participar dessa edição. Eu tenho certeza de que as conversas que lá tivermos vão ser capazes de nos jogar muito além dos limites do real”, finalizou o escritor.
Última semana de inscrições
A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são promovidas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, da Ambev, da Companhia Zaffari & Bourbon, da Ipiranga, da Panvel, da SulGás, da Triway e da TechDEC; com o apoio cultural da BSBIOS e do Sesi; patrocínio promocional da Capes, da Fapergs, da Italac e da Oniz; com a parceria cultural do Sesc; financiamento do Governo do Estado – Secretaria da Cultura – Pró-cultura RS LIC e realização do Ministério da Cultura.
As inscrições para a Jornada e para a Jornadinha estão abertas até o dia 1º de outubro. Para a Jornada, o público pode se inscrever tanto para o evento completo quanto para apenas noites individuais. Os interessados devem se inscrever no portal www.upf.br/16jornada. A programação completa também está disponível no site da Jornada. Informações podem ser obtidas pelo e-mail jornada@upf.br ou pelo telefone (54) 3316-8368.