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Geral

Vivendo e Empreendendo: Coragem e honestidade foram alicerce para o sucesso do Mercado À Quitanda

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

A Uirapuru realiza semanalmente o podcast “Vivendo e Empreendendo”, sempre destacando a história de empreendedores locais, inspirando novos talentos e mostrando como empreender em Passo Fundo vale a pena. O podcast tem apresentação e produção do empresário e vereador Iriel Sachet e vai ao ar todas as terças-feiras, na TV Uirapuru, no YouTube e no Facebook, às 19h. A mais recente edição do podcast recebeu o empresário Igor Schultz Pires, proprietário do Mercado À Quitanda, que hoje tem quatro unidades em Passo Fundo.

A história de Igor Pires é, antes de tudo, uma história de trabalho, necessidade e persistência. Muito antes de se tornar referência no comércio de alimentos em Passo Fundo, Igor era apenas um menino da Vila Hípica, criado na rua Dom Pedrito, ainda de chão batido. Foi ali que construiu seus primeiros valores, em uma família simples, sem tradição empreendedora, mas marcada pelo esforço diário dos pais, ambos trabalhadores CLT. Desde cedo, a realidade o empurrou para o mundo do trabalho.

Aos oito anos, vendia picolé para juntar alguns trocados. Aos 11, começou a trabalhar no antigo Sacolão, passando depois por outras experiências ligadas ao setor de hortifrúti. Não era imposição dos pais, mas a percepção clara de que era preciso ajudar a complementar a renda da casa. Contou que estudava pela manhã e trabalhava à tarde, muitas vezes aproveitando qualquer hora livre para garantir mais alguns cruzeiros no bolso. Essa vivência moldou o caráter e a relação de Igor com o trabalho.

Mesmo sem pensar em empreender naquele momento, Igor contou que acumulou experiência, criou vínculos com fornecedores e aprendeu, na prática, como funcionava o comércio. Ao lado do pai, seguiu trabalhando como empregado até que a empresa onde atuavam começou a perder espaço por não se atualizar. A saída não foi uma escolha confortável, mas uma necessidade. Depois de inúmeras tentativas frustradas de recolocação no mercado formal, surgiu a ideia que mudaria tudo.

Em uma casa antiga e alugada, no alto da Vila Fátima, nasceu a primeira Quitanda, em 1999. Não havia capital guardado, nem estrutura. A empresa nasceu literalmente do zero, sem capital algum, sustentada apenas pela credibilidade construída ao longo da trajetória de trabalho de Igor e de seu pai. No início, vendia-se apenas o básico: banana, maçã e batata. Não havia dinheiro nem para comprar uma caixa de alho.

Ainda assim, havia algo fundamental: compromisso, honestidade e respeito com clientes e fornecedores. Esses valores foram fortemente influenciados pela postura do pai de Igor, que desde o início teve papel central no negócio, não apenas como sócio, mas como referência ética e moral, estabelecendo uma cultura de honra nos compromissos assumidos. Com o aumento das vendas, a pequena casa ficou apertada, exigindo mudanças e novos investimentos.

A decisão de comprar o terreno próprio levou à venda da caminhonete da empresa e a um financiamento que trouxe anos de grande aperto financeiro. Em um dos momentos mais simbólicos dessa fase, Igor e o pai chegaram a ir trabalhar a pé ou de bicicleta, evidenciando as renúncias feitas para manter o negócio em funcionamento. Entre 2005 e 2009, a Quitanda viveu seu período mais difícil, com noites sem dormir e contas que pareciam impossíveis de fechar.

Ainda assim, desistir nunca foi uma opção. Igor sempre deixou claro que, quando se empreende, não se responde apenas por si, mas por uma família e por colaboradores que dependem daquele negócio. Ao lado do pai e, mais tarde, da esposa Paula, o trabalho sempre foi coletivo. Paula teve papel decisivo na gestão da empresa, especialmente no controle de compras, na organização financeira e no apoio emocional nos momentos mais difíceis da trajetória.

Não havia separação rígida entre pessoa física e empresa, mas sim uma lógica de esforço conjunto, com foco total na sobrevivência e no crescimento do negócio. A virada veio por volta de 2010, não como um momento de euforia, mas como um alívio, quando a pressão diminuiu e as contas começaram a fechar com mais tranquilidade. A partir daí, o Mercado Á Quitanda passou a se consolidar de forma mais estruturada.

O próprio nome Quitanda foi escolhido de maneira consciente, para remeter ao comércio de bairro, à proximidade com o cliente, à qualidade dos produtos e ao atendimento humano. Com o crescimento, a empresa também evoluiu internamente, formando uma equipe mais estruturada e estabelecendo um tripé de supervisão que marcou a transição de um pequeno negócio familiar para uma empresa organizada e profissional.

Hoje, a empresa é reconhecida pelo atendimento, pela qualidade dos produtos e pela forte relação com a comunidade e fornecedores, muitos dos quais acompanharam toda a trajetória desde os momentos mais difíceis. A história de Igor Pires é um retrato fiel do empreendedorismo real e genuinamente de Passo Fundo, crescendo sempre baseada também na confiança da comunidade.