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Polícia

Vítima do golpe do consórcio perdeu quase R$ 800 mil e estelionatário era próximo da família

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

A Polícia Civil deflagrou nesta semana a segunda fase da Operação Consortium, mirando uma quadrilha especializada no golpe do falso consórcio. Quinze pessoas foram presas, entre elas, três policiais militares. Além disso, 37 veículos de luxo e diversos bens foram apreendidos.

As vítimas do golpe do falso consórcio eram selecionadas principalmente por meio de perfis nas redes sociais e tinham em comum a necessidade de crédito rápido. A partir dessa estratégia, uma organização criminosa com base em Passo Fundo passou a atuar em larga escala no Rio Grande do Sul e em outros estados do país.

Segundo a Polícia Civil, somente neste ano, a estimativa é de que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 3 bilhões em consórcios. A investigação foi detalhada em coletiva de imprensa. Conforme o delegado da Delegacia de São Francisco de Assis, responsável pelo inquérito, os golpistas se aproveitavam da escassez de crédito rural para oferecer cartas de consórcio com promessa de liberação em poucos dias, o que nunca se concretizava.

Entre as vítimas está um agricultor de São Miguel das Missões, que no dia 20 de julho de 2024 adquiriu 37 cotas de consórcio da empresa Kasinski Administradora de Consórcios Ltda., ao custo de R$ 725 mil, pagos por meio de cheque. O vendedor era Wagner Godoi, preso durante a operação, que prometeu a contemplação em até 10 dias.

O agricultor, no entanto, nunca recebeu a carta de crédito, perdeu o contato com o vendedor e, mesmo após solicitar o cancelamento, não teve o valor devolvido. Ele só tomou conhecimento de que havia sido vítima de um golpe após a divulgação da operação pela Rádio Uirapuru, quando reconheceu o nome de um dos presos e procurou a polícia para registrar ocorrência.

Segundo o advogado da vítima, Fernando Tonet, o valor seria utilizado para a compra de maquinário agrícola. Ele afirma que grande parte do dinheiro obtido no esquema foi usada para ostentação, com a aquisição de veículos de luxo, viagens e gastos elevados. Alguns automóveis foram apreendidos, mas a recuperação total dos valores ainda é incerta.

A investigação também aponta que os criminosos utilizavam empresas terceirizadas e trocavam CNPJs com frequência, o que dificultava o rastreio das fraudes. A Polícia Civil orienta que qualquer pessoa que suspeite ter sido vítima procure imediatamente uma delegacia, registre ocorrência e busque orientação jurídica. As investigações seguem em andamento.