Vinte pessoas aguardam na fila por um novo fígado: conscientização da família é essencial na hora da doação
Passo Fundo é referencia nacional quando o assunto é transplante de fígado. Por isso a Uirapuru conversou o Dr. Paulo Reichert, chefe da Equipe de Transplante Hepático do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), para saber como estão ocorrendo os transplantes não só na cidade, mas no Estado. Ele revela que hoje existem algumas pessoas internadas, citando o caso de uma mãe de família, vítima de Hepatite B, que reúne a família em torno do seu sofrimento.
No momento ela está em coma e necessita, urgentemente, de um transplante. Há também dois irmãos, na casa dos 20 anos, portadores de uma rara doença, que também tem no transplante usa melhor chance de sobreviver. As doações têm melhorado, mas ainda em um ritmo muito lento. Para se ter uma ideia o médico revela que das 27 mortes encefálicas registradas no São Vicente, 18 familiares disseram não a doação, marcando dois terços.
Ele ressalta que o maior obstáculo a ser vencido é o convencimento da família, que depende de vários fatores. Sendo mais difícil quando se trata de uma criança ou adolescente que teve a morte confirmada. Além disso, o bom atendimento, obtenção de leito e profissionais atenciosos, durante a internação do paciente, faz toda a diferença na hora da família optar. Outra orientação importante é que as pessoas comuniquem às famílias que querem a doação.
Hoje aguardam na fila por um novo fígado, conforme salienta o especialista, cerca de 20 pessoas. Para ele, para mudar essa realidade é preciso investir em campanhas que incentivem a doação e até mesmo na inclusão no currículo escolar de conceitos básicos sobre o tema.
Embora o momento não seja o melhor, existem fatos positivos a comemorar. Um deles é o sucesso dos transplantes realizados, afirma o médico, lembrando do caso de Elisângela Meireles, primeira transplantada de fígado de Passo Fundo a engravidar. No dia 30 de dezembro, ela deu a luz ao filho Nilmar.