Vereador propõe proibição da pesca com redes para preservar biodiversidade hídrica
Uma proposta em tramitação na Câmara de Vereadores de Passo Fundo quer restringir a pesca com rede no município e servir de referência para toda a região Norte do Rio Grande do Sul. A iniciativa é do vereador Douglas Pereto (PSD), que apresentou o projeto como seu primeiro no Legislativo. A proposta se baseia em legislações já existentes em outras cidades, como Aceguá, e visa preservar os mananciais e a biodiversidade dos corpos hídricos da região.
Em entrevista ao programa Uirapuru Ecologia, Pereto explicou que a ideia surgiu ainda durante a campanha eleitoral, a partir de uma sugestão do publicitário Alexandre Garbim, também ligado ao partido. A proposta foi aprimorada com apoio de pescadores esportivos, ambientalistas e moradores da região da barragem de Ernestina. O projeto prevê a proibição da pesca com rede em rios, açudes, barragens e córregos do município, com exceção de usos científicos ou manejos ambientais autorizados.
Segundo o vereador, embora Passo Fundo não tenha pesca profissional significativa, a cidade desempenha papel estratégico como berço de cinco bacias hidrográficas. “O que acontece aqui irradia para outros municípios. A cidade precisa ser também um polo ambiental”, afirmou.
Pereto destacou que a pesca com redes de malha muito fina, conhecidas como “feiticeiras”, é altamente predatória, pois captura indiscriminadamente peixes de todos os tamanhos, vegetação e até organismos microscópicos, comprometendo o equilíbrio ecológico. “Esse tipo de pescador não contribui com nada, arrasta tudo, aproveita pouco e ainda deixa lixo para trás. Isso é destrutivo”, disse.
A Brigada Militar, por meio da Patrulha Ambiental (Patram), tem realizado ações frequentes de fiscalização e, segundo o vereador, já apreendeu grandes quantidades de redes ilegais em caminhonetes lotadas. O projeto de lei busca também fortalecer essas ações com apoio tecnológico. Peretto sugeriu, por exemplo, a adoção de internet via satélite (Starlink) nas viaturas da Patram e o uso de drones para monitorar áreas de difícil acesso.
A proposta também tem caráter educativo e simbólico. Para Pereto, proibir redes é também uma forma de criar uma nova “rede” de consciência ecológica e responsabilidade coletiva. “A gente quer que as pessoas saiam para pescar com responsabilidade, sem deixar rastro de destruição, e que aproveitem a natureza em harmonia com ela”, afirmou.
Além do projeto sobre pesca, o vereador articula a criação de uma “Praça da Sustentabilidade” em frente à Escola Estadual Cecy Leite Costa, onde leciona há mais de duas décadas. O local, que é um divisor de águas na cidade, serviria como espaço de educação ambiental e promoção da consciência ecológica, com foco também na poluição sonora causada pelo tráfego intenso na Avenida Presidente Vargas.
Ao final da entrevista, Pereto convidou a população a participar ativamente do debate, sugerindo, criticando e colaborando com ideias. “A proposta não nasce no gabinete. O vereador tem que ser um provocador do debate”, concluiu.