Vendas dos camelôs tiveram queda de 80% nos últimos cinco anos, afirma presidente da associação
O crescimento na abertura de lojas chinesas em Passo Fundo, somado às condições estruturais do camelódromo localizado na Praça Toccheto, tem impactado as vendas dos camelôs e reduzido o fluxo de clientes. A avaliação foi apresentada em entrevista à Rádio Uirapuru pelo presidente da Associação dos Camelôs de Passo Fundo, Francisco Brasil, ao analisar o atual cenário do setor, marcado por mudanças no comércio local e pela falta de investimentos no espaço físico onde os trabalhadores atuam diariamente.
Segundo Francisco Brasil, as vendas vêm registrando retração contínua há cerca de cinco anos, com queda estimada em aproximadamente 80%. Ele explicou que a redução do movimento compromete a renda dos camelôs, que tradicionalmente dependem de períodos como Natal e Dia das Crianças, mas que já não apresentam o retorno esperado.
Parte dessa diminuição, conforme relatado, está relacionada à expansão das lojas chinesas em Passo Fundo, especialmente na Avenida Brasil. De acordo com o presidente da associação, esses estabelecimentos operam com grande volume de mercadorias e preços mais baixos, o que dificulta a concorrência direta com os camelôs e reduz a atratividade do comércio popular.
Outro fator apontado foi a precariedade da infraestrutura do camelódromo. Francisco Brasil informou que a última licitação do espaço ocorreu em 2011, embora o processo previsse renovações periódicas. O local foi aprovado em 1995 e inaugurado em 27 de setembro de 1996, durante a gestão do então prefeito Oswaldo Gomes, somando quase 30 anos sem uma reestruturação adequada.
Ainda conforme o presidente da associação, o número de camelôs diminuiu ao longo dos anos. Ele relatou que parte dos trabalhadores abandonou a atividade diante da falta de melhorias, enquanto outros se afastaram por motivos pessoais. Atualmente, cerca de 30 a 40 bancas seguem em funcionamento no local.
Ao final da entrevista, Francisco Brasil defendeu que a revitalização do camelódromo beneficiaria não apenas os comerciantes, mas também a cidade de Passo Fundo. Ele lembrou que o espaço já foi um ponto de atração regional, recebendo visitantes de municípios como Erechim, Soledade, Getúlio Vargas e Tapejara, e avaliou que a reestruturação poderia contribuir para a retomada do movimento e do comércio popular.