Vacinas para gripe trocadas por um quilo de alimento geram dúvidas e população busca esclarecimentos
Após a “operação anticorpo” desencadeada pela polícia civil na região de Passo Fundo e que trouxe a tona um esquema de falsificação de vacinas, muitas pessoas se manifestaram através dos canais de comunicação da Rádio Uirapuru questionando a origem do material que estava sendo aplicado em troca de um quilo de alimento no centro de Passo Fundo.
A reportagem foi informada e recebeu “prints” de mensagens que estavam sendo difundidas através do Whatsapp conclamando pessoas interessadas em se vacinar a comparecer em uma sala localizada na Rua General Neto, no centro de Passo Fundo. A mensagem solicitava também que os interessados utilizassem máscara e levassem um quilo de alimento.

Diante das dúvidas levantadas por ouvintes, a Rádio Uirapuru realizou um apelo durante a programação para que o responsável se manifestasse explicando a origem das vacinas e dirimindo dúvidas da população que encontra-se angustiada diante da informação de que vacinas falsificadas estavam sendo distribuídas na região.
Após o apelo, uma mulher entrou em contato com a emissora, e informou ser a responsável por uma empresa de cuidados domiciliares em saúde e que seria responsável também pelas vacinas que eram trocadas por alimentos. Segundo essa pessoa, ela teria vacinas sobrando e quando questionada sobre a origem do produto ela argumentou que compra e que também recebe da secretaria de saúde. A mulher não soube dizer, no momento que fez contato com a Rádio, de qual laboratório seriam as vacinas.
Segundo informações obtidas pela reportagem, na sala onde a vacina foi aplicada funcionaria a sede de uma entidade que congrega voluntários e que atua com ajuda humanitária. A responsável pela vacinação informou que somente utiliza o local e espontaneamente se comprometeu em trazer na quarta-feira, 6, a comprovação da procedência e legalidade do produto utilizado, porém como ainda não havia se manifestado até o início da tarde desta quinta-feira, 7, a reportagem fez contato e foi informada que a empresa adquire as vacinas e colaboradores auxiliam no pagamento do produto disponibilizado a população. “A gente tem a Home Care (empresa de cuidados domiciliares em saúde) e a gente tem várias pessoas que nos ajudam. Eu tenho colaboradores que nos ajudaram nessas vacinas. A gente compra e as pessoas nos ajudam pagando. Durante a reportagem houve uma especulação que havia uma troca por um quilo de alimento e não é uma troca”, complementou.
Conforme mensagens recebidas pela Rádio Uirapuru e checadas pela reportagem, a responsável pela empresa de cuidados domiciliares em saúde, seria técnica de enfermagem com registro no Coren de Santa Catarina.

A responsável pela empresa disse também que a secretaria de saúde foi consultada a respeito de laboratórios que fabricariam o produto. “Eu liguei e só pedi informações de laboratórios, só isso”.
Mais uma vez, a responsável pela empresa disse que traria a documentação comprovando a legalidade das doses da vacina até a Rádio Uirapuru.

Apesar de não ter sido citada pela reportagem, o Presidente da Associação Norte Gaúcho de Resgate, Busca e Salvamento, Guilherme Cabeda de Camargo, enviou nota de esclarecimento, dizendo que a entidade nunca participou e não tem qualquer vinculação com campanhas de vacinação. Na nota a entidade argumenta que não possui sede própria e portanto não realizou o empréstimo de qualquer sala para a realização da suposta campanha. O presidente reafirmou o compromisso com a sociedade e se colocou a disposição para esclarecimentos necessários.
As informações recebidas sobre o fato, bem como os contatos indicados como responsáveis pela vacinação, serão entregues para a Vigilância Sanitária e para a Polícia Civil, que se entender necessário, poderá investigar o fato.