UPF recebe evento nacional que discute desafios e tendências do agronegócio
A Universidade de Passo Fundo (UPF) é sede, entre os dias 27 e 31 de julho, do 63º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER). O evento ocorre no auditório da Escola de Ciências Agrárias, Inovação e Negócios (Esan) e reúne docentes, pesquisadores, estudantes e profissionais do setor.
O presidente da comissão local organizadora, professor Julcemar Bruno Zilli, explica que a programação integra apresentações científicas, minicursos, visitas técnicas e painéis com especialistas. Segundo ele, o evento reforça o papel da pesquisa acadêmica no enfrentamento dos desafios econômicos e ambientais vividos pelo setor rural. “Esses dados podem ajudar o produtor a melhorar sua produtividade, a gestão das empresas e a lucratividade. Mas para isso, é necessário que o conhecimento gerado na academia chegue até a sociedade”, afirmou.
Na avaliação de Zilli, a Aula Magna ministrada pelo professor Marcos Jank, do INSPER, destacou as transformações globais que impactam o setor. Ele abordou as tarifas impostas pelos Estados Unidos e seus efeitos sobre o agronegócio brasileiro, além de relacionar essas questões com os temas centrais do congresso. “Ele fez a amarração entre tecnologia, energia renovável e financiamento verde com o agronegócio, apontando como esses fatores podem melhorar as condições socioeconômicas do setor”, relatou.
Na segunda-feira, dois painéis abriram as discussões: o primeiro sobre a conjuntura econômica, com a participação de representantes da Farsul e professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; e o segundo sobre as fronteiras tecnológicas. Conforme Zilli, os debates incluíram temas como inteligência artificial, tecnologia embarcada em máquinas agrícolas e inovação genética. “A tecnologia está evoluindo em ondas cada vez mais rápidas. Um produtor ou empresa que não acompanha essas transformações corre o risco de ficar para trás”, observou.
Outro eixo abordado é o uso de energias renováveis. O professor menciona a instalação de plantas de biodiesel, etanol e amônia verde na região, além do avanço em energia solar e eólica. “Esses recursos podem melhorar a rentabilidade e reduzir a pegada ambiental das atividades agroindustriais”, explicou. Sobre financiamento verde, Zilli aponta que empresas com práticas sustentáveis podem acessar crédito com condições mais vantajosas. “Isso reforça a ligação entre sustentabilidade e competitividade”, disse.
De acordo com a organização local, o congresso conta com cerca de 600 participantes e 542 trabalhos científicos em apresentação simultânea em 19 salas de aula. Além das sessões técnicas e acadêmicas, a programação inclui minicursos de análise sensorial e visitas à Embrapa, à Rota das Salamaria, em Marau, e à empresa Be8.
O congresso se encerra na quinta-feira, com atividades culturais e técnicas. As inscrições permanecem abertas até 30 de julho.