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Polícia

Um pé na política outro no crime: a história controversa de Horácio Cartes, ex-presidente do Paraguai

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
Brasília - O presidente do Paraguai, Horacio Cartes é recebido, no Congresso Nacional, pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ex-presidente Paraguaio, Horacio Cartes, que foi alvo de um mandado de prisão durante a operação Patron, que é um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, já foi considerado um case de sucesso no Fórum de Davos na Suíça.

Empresário renomado no Paraguai, defensor do livre comércio e político influente, Cartes é acusado de lavar dinheiro para o tráfico e estar envolvido com contrabando de cigarros e armas.

No Brasil, com frequência quase que diária inclusive na região de Passo Fundo, marcas de cigarro pertencentes a Tabacalera del Este são apreendidos oriundos de contrabando e suspeitos de pirataria. Cartes já foi alvo de investigação no Brasil, Colômbia e México.

Investigações da força tarefa da Lava Jato indicam Horácio Cartes e Dario Messer, conhecido como o doleiro dos doleiros, como chefes de uma organização criminosa que atuava em diversos segmentos e movimentava milhões. Cartes é investigado a mais de 20 anos, sendo monitorado a partir da Cidad de Este, na fronteira com o Brasil e Argentina. O ex-p´residente é acusado de auxiliar o doleiro com mais de R$ 2 milhões de reais no período em que este permaneceu foragido.

Além do segmento fumageiro, o ex-presidente paraguaio é proprietário de bancos no Paraguai e considerado um dos empresários mais ricos do país vizinho, porém ao longo de sua trajetória acumula episódios controversos.

Quando assumiu a presidência do Paraguai, o político e empresário foi acusado de conflito de interesses públicos e privados por ter nomeado funcionários de suas empresas a cargos públicos.

A Polícia Federal deve solicitar a extradição de Cartes que está em seu país a disposição das autoridades.

Segundo o jornal paraguaio Ultima Hora, em 2018 o senador Rodolfo Friedmann acusou Horacio Cartes, em sessão ordinária da Câmara Alta, de ser o “chefe dos gângsteres, um El Capo” que lidera o tráfico de cigarros e a lavagem de dinheiro.

Cartes deixou a presidência do Paraguai em 2018 com uma avaliação de popularidade extremamente baixa. Para tentar conseguir concorrer a eleição o empresário e político tentou manobrar para alterar a constituição através de uma emenda que lhe desse tal direito. Durante o trâmite ele foi acusado de apresentar assinaturas falsas.

A defesa de Cartes classificou a decisão da justiça brasileira como um absurdo e em relação aos valores repassados para Dario Messer alegou que emprestar dinheiro para alguém pagar advogados não é crime.

Horácio Carter não pode ser preso no Paraguai por ter direito a imunidade como ex-presidente e Senador.