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Polícia

Um mês sem Jardel: : “A mãe chora todo dia, o filho pergunta quando o pai volta”, afirma irmão da vítima em entrevista a Uirapuru

Públicado em Por RD Uirapuru / Leandro Vesoloski

Na madrugada de 8 de junho, há exato um mês, a cidade de Passo Fundo foi marcada por um crime brutal: o assassinato do motorista de aplicativo Jardel Saraiva de Barros, de 30 anos, durante uma corrida de trabalho no bairro Valinhos. Ele foi atingido por disparos de arma de fogo na cabeça e, apesar de ter sido socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), não resistiu aos ferimentos.Jardel era casado com Maria Elisabete e pai do pequeno Pedro, de apenas três anos. Trabalhava como operador de empilhadeira na Farmácia São João e, recentemente, havia começado a atuar como motorista de aplicativo para complementar a renda familiar e realizar o sonho de construir a própria casa.

Ele era o irmão mais novo, sempre muito trabalhador. Com o nascimento do filho, e para complementar a renda decidiu fazer Uber para dar uma vida melhor à família. Sonhava em fazer a casinha dele, um lar melhor pro filho. Infelizmente, foi tirado da esposa e do filho sem chance de pedir socorro”, contou, emocionado, o irmão Roberto Barros, em entrevista ao repórter Leandro Vesoloski.

Jardel atuava como motorista havia menos de dois meses. Por falta de experiência e conhecimento dos riscos da profissão, aceitava corridas em áreas mais violentas, muitas vezes rejeitadas por outros condutores.

Ele era inocente, só tinha tamanho. Não via maldade em nada. Estava trabalhando em lugares perigosos sem saber. Foi pego de surpresa”, desabafa Roberto.

Na manhã seguinte ao crime, familiares localizaram o carro usado por Jardel, com vestígios de sangue. No mesmo dia, a Rádio Uirapuru obteve com exclusividade imagens de câmeras de segurança que mostram dois homens chegando com o veículo e abandonando-o em frente a um comércio na Rua Parobé, na Vila Cruzeiro. Em seguida, os suspeitos deixam o local a pé.

A investigação foi inicialmente conduzida pela Delegacia de Homicídios, mas após a análise dos fatos, o caso passou a ser tratado como latrocínio — roubo seguido de morte — e encaminhado à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

 Desde que o inquérito chegou à Draco, foram realizadas inúmeras diligências, contudo, nada pode ser divulgado ainda. Estamos envidando esforços para concluir com a urgência que o caso exige”, afirmou o delegado Venicios Demartini, titular da Draco.

Enquanto a investigação segue em sigilo, a família vive o luto em meio à dor da impunidade. O pequeno Pedro pergunta todos os dias pelo pai.

A mãe do Jardel chora toda manhã. O pai, já cansei de encontrar chorando em frente ao fogão a lenha. O Pedro pergunta ‘cadê o pai?’, ‘quando o pai vai voltar?’. Isso nos destrói. A dor que mais ouvimos deles foi essa: ‘A lei da vida é os filhos enterrarem os pais, não o contrário.’ Como consolar um pai e uma mãe nessa situação?”, relatou Roberto.

A família cobra justiça e faz um apelo à comunidade:

Teve filmagem dos bandidos entregando o carro. Se um familiar, um vizinho, um amigo reconhece e não denuncia, será que também não está sendo cúmplice? Para nós, justiça seria que eles tivessem o mesmo fim que meu irmão teve. Porque no Brasil de hoje, a gente sabe que se forem presos, em 30 dias estão na rua. Que justiça é essa?”

Mesmo indignados, os familiares reconhecem o empenho da polícia e direcionam sua crítica ao silêncio de quem pode ajudar:

Não questionamos o trabalho da polícia, porque eles nos dão retorno. Mas o que mais choca é a família desses bandidos se calar. Não ajudam a pagar pelo mal que fizeram. Tiraram um pai exemplar, um filho exemplar da nossa família.”

Ao encerrar a entrevista, Roberto deixa um apelo comovente:

Queria pedir pra essas famílias se colocarem no nosso lugar e imaginarem essa dor. O Jardel sonhou em ser pai e foi tirado do filho sem poder cumprir esse papel. Denunciem. Nos ajudem a fazer justiça.”