Crime que chocou Mato Castelhano completa um ano e meio sem identificação dos autores
Um ano e meio após o assassinato de dois professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) durante um assalto em Mato Castelhano, a Polícia Civil ainda não identificou os autores do crime. O caso ocorreu na madrugada de 25 de julho de 2024, no único hotel do município, que tem cerca de 2,5 mil habitantes.
As vítimas, Fabiano de Oliveira Fortes, de 46 anos, e Felipe Turchetto, de 35, lideravam uma visita de campo com acadêmicos do curso de Engenharia Florestal à Floresta Nacional de Passo Fundo. Segundo a investigação, os professores chegaram ao hotel no momento do assalto, foram rendidos, amarrados e baleados após tentativa de reação.
Questionado pelo repórter Bruno Reinehr nesta quinta-feira (29), o delegado Venícios Demartini, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) afirmou que não há novidades no caso e que o inquérito policial segue em andamento na tentativa de identificar a autoria.
De acordo com o delegado, a perícia técnica que estava sendo aguardada e foi realizada em Porto Alegre já foi recebida pela Polícia Civil. No entanto, mesmo com o resultado em mãos, a perícia não trouxe elementos suficientes para apontar os responsáveis pelo crime.
— Recebemos a perícia e estamos fazendo demais diligências para tentar chegar na autoria — informou o delegado.
Ainda conforme Demartini, não há novos suspeitos identificados até o momento. A Polícia Civil segue concentrada na busca por provas técnicas que possam colocar os autores na cena do crime.
— Estamos em busca de provas técnicas que possam colocar os autores na cena do crime — afirmou.
A investigação já analisou imagens de câmeras de monitoramento da cidade, realizou perícias no local do crime e exames no veículo utilizado pelos criminosos, um Gol branco abandonado durante a fuga. A ausência de câmeras de segurança no interior do hotel é apontada como um dos principais fatores que dificultam o esclarecimento do caso.
Três dias após o crime, dois homens chegaram a ser presos temporariamente, mas foram liberados após diligências apontarem que não estavam no local no momento dos assassinatos. Um terceiro investigado também foi preso temporariamente à época, mas atualmente responde em liberdade.
Mesmo com o passar do tempo, a Polícia Civil afirma que o inquérito segue ativo e que novas informações podem contribuir para o avanço das investigações. Denúncias podem ser feitas de forma anônima.
Quem eram os professores
Fabiano de Oliveira Fortes, de 46 anos, e Felipe Turchetto, de 35, eram professores do Departamento de Ciências Florestais do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ambos eram engenheiros florestais e lecionavam a disciplina de Manejo Florestal.
Fabiano Fortes integrava o quadro de servidores da UFSM desde 2008, com atuação consolidada na área acadêmica e em atividades de campo. Já Felipe Turchetto ingressou na universidade em 2019. Natural do Norte do Rio Grande do Sul, ele tinha familiares em Taquaruçu do Sul, município próximo a Frederico Westphalen, onde realizou a graduação. Posteriormente, mudou-se para Santa Maria, onde concluiu mestrado e doutorado.
Turchetto chegou a lecionar no Norte do Estado até o final de 2023 e, desde o início de 2024, atuava a partir do campus sede da UFSM, em Santa Maria. Os dois professores estavam na cidade de Mato Castelhano acompanhando alunos em atividades acadêmicas quando foram mortos.