Uirapuru ecologia: irrigar lavouras contra a seca ajuda, mas não soluciona problema
Nos últimos meses o impacto das mudanças climáticas tem se tornado motivo de reuniões e preocupação no setor do agro. Entidades a nível de Estado se uniram com produtores para discutir o que pode ser feito. Soluções como armazenagem de água para usar nas lavouras em um sistema de irrigação são as mais apontadas. No entanto, isso esbarra nos custos para o sistema que leva a água até as plantas e principalmente nas questões ambientais e suas regras. A meteorologia já dá sinais que outra situação se aproxima: o fim do La Niña, que causa a seca no sul, e a chegada do El Niño, que trará muita chuva a partir do inverno. No entanto, as lavouras sofrem os efeitos da estiagem pelo terceiro ano seguido no Estado, mostrando que o problema já está se tornando frequente.
Mas como enfrentar isso? O assunto foi abordado dentro do programa Uirapuru Ecologia, na manhã do último sábado na Uirapuru. O programa foi apresentado pelo jornalista Ivaldino Tasca e contou com a participação de Gilberto Cunha, engenheiro agrônomo, agrometeorologista, pesquisador da EMBRAPA, integrante da Academia Passo-fundense de Letras. Conforme Cunha, o primeiro passo no enfrentamento desta situação é admitir que ele existe e que está sendo causado pela intervenção humana.
O mundo moderno explora a natureza, não só por motivos econômicos, mas para manter as coisas como são, garantir a alimentação de todos, por exemplo. Para Cunha a meteorologia evoluiu muito, lançando alertas antes de catástrofes climáticas, sejam elas por muita chuva, vento ou seca. No Rio Grande do Sul Cunha disse que nenhum produtor rural foi pego de surpresa diante do quadro da seca. A situação já vinha sendo prevista, no entanto, o plantio mesmo assim precisa ocorrer. A irrigação, amplamente apontada como solução, conforme Cunha, tem potencial de alcançar apenas pouco mais de 20% das lavouras do Estado, tendo influência de diversos fatores.
Manejo do solo para trazer eficiência hídrica também ajudaria. Para Cunha é preciso admitir que a agricultura é uma atividade de risco e um dos passos mais importantes que o produtor deve dar é assegurar as lavouras contra os impactos da seca. No entanto, o mercado de seguros deve evoluir, voltando mais para este setor e tornando a operação viável.