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Geral

Uirapuru Ecologia: georreferenciamento se consolida como ferramenta-chave para a preservação ambiental no campo, afirmam especialistas

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A importância do georreferenciamento como ferramenta de apoio à preservação ambiental e à regularização de imóveis rurais foi tema do programa Uirapuru Ecologia, da Rádio Uirapuru, exibido no sábado, 10, com a participação de representantes da Brasilgeo Engenharia e Agrimensura. O debate abordou o papel da tecnologia na organização territorial, no controle ambiental e no desenvolvimento sustentável do setor rural.

Durante a entrevista, Diógenes Gonçalves Machado, diretor da empresa, destacou que o georreferenciamento passou por uma grande evolução ao longo das últimas décadas, acompanhando o avanço da agricultura e das políticas ambientais no Brasil. Ele explicou que a técnica surgiu como resposta à necessidade de organizar a ocupação do território, evitar conflitos fundiários e combater práticas irregulares, como a grilagem de terras, especialmente em regiões de fronteira agrícola.

Segundo Diógenes Gonçalves Machado, o georreferenciamento consiste na identificação precisa da localização de um imóvel rural por meio de coordenadas geográficas, permitindo que a propriedade seja inserida corretamente no sistema fundiário nacional. Ele ressaltou que esse processo é regulamentado por lei, exige profissionais credenciados pelo INCRA e equipamentos de alta precisão, sendo fundamental para garantir segurança jurídica, facilitar registros em cartório e integrar informações fiscais, ambientais e patrimoniais.

O diretor da Brasilgeo Engenharia e Agrimensura também explicou a diferença entre o georreferenciamento e o Cadastro Ambiental Rural, o CAR, apontando que o georreferenciamento é uma ferramenta técnica de medição e certificação fundiária, enquanto o CAR funciona como uma declaração ambiental obrigatória. Conforme destacou, o CAR reúne informações sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas consolidadas, sendo essencial para o acesso a crédito rural, transferências de imóveis e regularização ambiental.

Na sequência do programa, Leonardo Machado, agrimensor e geomensor da empresa, enfatizou que o georreferenciamento contribui diretamente para a preservação do meio ambiente ao permitir o mapeamento correto de áreas sensíveis, como nascentes, cursos d’água e reservas legais. Ele explicou que a tecnologia possibilita o monitoramento contínuo do uso do solo, a gestão de recursos naturais e a prevenção de passivos ambientais, além de apoiar processos de licenciamento e planejamento sustentável.

De acordo com Leonardo Machado, um dos principais desafios encontrados atualmente está relacionado a divergências de divisas e a inconsistências em cadastros ambientais antigos, muitas vezes feitos com imagens de baixa precisão. Ele alertou que erros no CAR podem gerar sobreposição de áreas, invasão de APPs e dificuldades futuras na regularização do imóvel, reforçando a importância da revisão desses cadastros por profissionais habilitados.

Ao final da entrevista, Leonardo Machado afirmou que o georreferenciamento tende a se tornar cada vez mais estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente diante das exigências do mercado consumidor e de acordos internacionais ligados à sustentabilidade. Segundo ele, a tecnologia permite conciliar produção e preservação ambiental, oferecendo dados confiáveis para decisões técnicas e fortalecendo a transparência na ocupação do território rural.