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Mundo

Uirapuru Ecologia: após 100 anos da gripe espanhola, o mundo volta a viver outra pandemia

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

A gripe espanhola de 1918 foi a primeira pandemia mundial causada por um vírus de influenza. Estima-se que, de janeiro de 1918 a dezembro de 1920, mais de 500 milhões de pessoas tenham sido infectadas no mundo. O número de mortos também foi alarmante, em torno de 50 milhões de pessoas. Pouco mais de cem anos após a gripe espanhola, o mundo volta a viver uma nova pandemia causada por um vírus. Com isso, o programa Uirapuru Ecologia do último sábado (29), apresentado por Luiz Paulo Fragomeni, foi especial e trouxe um pouco da história de como Passo Fundo enfrentou na época a pandemia e as ações que foram tomadas. Participaram do programa o historiador e presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo, Fernando Borgmann Severo de Miranda, o mestrando em história pela UPF e vice-presidente do Instituto Histórico, Diovan Vinicius Carvalho, e o mestrando em história também pela UPF, Alex Antônio Vanin.

O historiador Fernando Borgmann Severo de Miranda contou que Passo Fundo foi pega em cheio pela pandemia. Disse que, na época, a cidade já registrava um movimento intenso com atividades sociais e aglomeração de pessoas. Contou que a cidade tinha, na época, em torno de 7.500 habitantes e que ia do Boqueirão até a ponte sobre o Rio Passo Fundo. Fernando lembrou que a cidade tinha também sua estação férrea funcionando e muitas pessoas de diversos locais acabavam passando por aqui com os trens. Passo Fundo era na época administrada por um intendente que fazia o papel de prefeito, que era o coronel Olivo e o vice era o coronel Gervásio.

O historiador contou que gripe chegou em Passo Fundo no final de outubro e o intendente de imediato reuniu-se com o corpo médico da cidade e lançou decretos com medidas. A primeira medida foi o fechamento de escolas, comércio, bares, cafés, cinemas e todos os locais que houvessem aglomeração. No trem, os passageiros antes de descerem também eram examinados.

Fenando contou que os casos foram atendidos pelo Hospital de Caridade, que era liderado por Antonino Xavier e em seguida uma enfermaria foi montada, essa que deu origem ao Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). Contou que o governo municipal realizou a doação de alimentos e estima-se que os gastos em três meses com a doença foram em torno de R$ 80 milhões, no valor atual do dinheiro. Disse que os relatórios mostram que morreram na época 105 pessoas, o que que representava 1,04% da população. Nos dias atuais esse número seria em torno de mais de duas mil pessoas.

Ouça a entrevista com o historiador Fernando Borgmann Severo de Miranda:

O mestrando em história pela UPF e vice-presidente do Instituto Histórico, Diovan Vinicius Carvalho, lembrou que o mundo estava vivendo na época o final da guerra mundial. Contou que gripe teve origem nos Estados Unidos, entre soldados do exército. Os soldados foram para Europa e de lá a gripe começou se espalhar. O historiador disse que a principal diferenciação foi que os governos da época tentaram ao máximo abafar o que estava acontecendo. O vírus foi se alastrando e somente a imprensa da Espanha noticiava e por isso ficou o nome de gripe espanhola, justamente porque foi a Espanha que expôs a situação e gravidade ao mundo.

Ouça a entrevista com o mestrando em história pela UPF e vice-presidente do Instituto Histórico, Diovan Vinicius Carvalho:

O mestrando em história também pela UPF, Alex Antônio Vanin, lembrou que as populações indígenas também foram bastante afetadas pela pandemia. Disse que até mesmo antes da chegada da ferrovia, com os tropeiros, um grande tráfego de pessoas já existia e com isso várias doenças também circulavam. Explicou que as contaminações aconteciam, em menor em escala do que com a ferrovia, mas existiam. Destacou a importância de se olhar a história, ver o que foi feito na época, ainda mais quando o mundo começa a passar por outra pandemia.

Ouça a entrevista com o mestrando em história também pela UPF, Alex Antônio Vanin: