Trump anuncia controle temporário dos EUA sobre a Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que os EUA irão administrar a Venezuela de forma interina após a operação militar que resultou, segundo ele, na captura do presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante um pronunciamento oficial em que Trump detalhou a ação e indicou uma mudança profunda na política americana para a região.
Segundo Trump, o governo venezuelano passará a ser conduzido temporariamente por um grupo designado pelos Estados Unidos, até que ocorra uma transição de poder. Ele não informou como nem quando essa transição será realizada, limitando-se a dizer que os nomes do grupo responsável serão anunciados em breve.
Em entrevista anterior à emissora Fox News, Trump afirmou que ainda avalia quem deverá assumir o comando político da Venezuela. Questionado sobre a possibilidade de a líder oposicionista María Corina Machado assumir o poder, o presidente norte-americano disse que ela “não tem apoio interno nem respeito suficiente” no país, apesar de elogiá-la pessoalmente.
Trump também afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém diálogo com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que, segundo ele, estaria disposta a cooperar com os Estados Unidos.
Durante o pronunciamento, Trump voltou a invocar a Doutrina Monroe, política adotada pelos EUA no século XIX para ampliar sua influência na América Latina. Ele declarou que o “domínio americano no Hemisfério Ocidental não será mais questionado”, afirmando que a nova estratégia de segurança nacional reforça a presença e o poder dos Estados Unidos na região.
Além do aspecto político e militar, Trump anunciou que empresas petrolíferas norte-americanas passarão a atuar na Venezuela, com o objetivo de recuperar a infraestrutura do setor. Segundo ele, a indústria petrolífera venezuelana teria sido “roubada” dos Estados Unidos por governos anteriores e agora será reestruturada com investimentos bilionários.
O presidente norte-americano disse que as companhias irão restaurar a produção, gerar lucro e fazer o petróleo “voltar a fluir”. Trump afirmou ainda que os EUA foram responsáveis pela construção da indústria petrolífera do país sul-americano e que o regime socialista teria se apropriado dessa estrutura.
Sobre o destino de Nicolás Maduro, Trump declarou que o presidente venezuelano será levado a Nova York, onde ficará à disposição da Justiça norte-americana. Ele não detalhou quando a transferência ocorrerá nem onde Maduro permanecerá detido enquanto aguarda julgamento.
Trump também admitiu que o Congresso dos Estados Unidos foi informado sobre a operação apenas após a ação, alegando risco de vazamento de informações. A Constituição americana prevê que o Legislativo seja comunicado sobre operações militares.
No discurso, o presidente não descartou novas ofensivas em território venezuelano e afirmou não ter receio de enviar tropas ao país, alegando que ainda existem integrantes do antigo regime em atuação.
Trump afirmou ainda que a operação que resultou na captura de Maduro durou apenas 47 segundos e a classificou como a maior ação militar dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, o ataque envolveu forças aéreas, terrestres e marítimas.
O presidente norte-americano revelou que a ofensiva estava planejada para ocorrer quatro dias antes, mas foi adiada por condições climáticas. Ele afirmou ainda que chegou a conversar com Maduro cerca de uma semana antes da operação, quando, segundo Trump, o líder venezuelano tentou negociar uma saída pacífica do poder, proposta que teria sido recusada.
O presidente dos Estados Unidos, também publicou uma imagem que mostra Nicolás Maduro vendado, usando óculos e moletom, aparentemente algemado, a bordo do navio USS Iwo Jima.
