Três gerações dedicadas ao campo: Destaque Produtor Modelo é o agricultor Délcio Basegio
Com propriedades no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso o produtor acredita na agricultura de precisão para produzir mais em menores espaços O prêmio Uirapuru Expodireto Cotrijal de Destaque Produtor Modelo, deste ano foi indicado pela empresa de maquinário agrícola New Holland.
Délcio Basegio, nascido em Tapejara, mas hoje morando em Passo Fundo, é um exemplo de amor a lavoura e a agricultura brasileira. Com propriedades em Coxilha e também na cidade de Gabriel do Oeste, no Mato Grosso, seu Délcio Basegio faz questão de afirmar que como seus pais, tem na terra o seu sustento.
E se enche de orgulho ao informar que seu filho, já na terceira geração, também segue os passos do pai e atua no negócio da família: o cultivo da terra. Casado com Virgínia Basegio, ele é pai de Carolina, que advogada e de Giovane, formado engenheiro agrônomo e que ao seu lado toca os negócios.
Ele revela que não foi somente ele, mas também, os seus cinco irmãos que decidiram trabalhar no campo. Da década de 50, para os dias atuais, relata que muitos foram os progressos e o surgimento de novas tecnologias, que possibilitaram se produzir mais em espaços menores. Mas há algo que não muda, para o agricultor, ainda é o olho do dono que engorda o gado. Por isso, faz questão de acompanhar e trabalhar em suas duas propriedades. Saiba mais sobre a vida e história do produtor Décio Basegio na entrevista abaixo feita pelo comunicador JG:
JG: O senhor é de onde?
Basegio: Sou de Tapejara, mas já faz muitos anos que mora em Passo Fundo. Ali constitui minha família. JG: Sempre trabalhou no campo? Basegio: Sim, sempre. Meus pais começaram na atividade no ano de 1953 e desde então estamos nessa lida, plantando e colhendo. Não somente eu, mas também meus cinco irmãos.
JG: De geração para geração?
Basegio: Isso mesmo, podemos dizer que já estamos na terceira geração, pois meu filho é engenheiro agrônomo e tralha em nossas propriedades.
JG: O que o senhor produz? Somente soja?
Basegio: Não, planto milho, trigo, cevada, aveia e também soja. A terra tem que render sempre, em todas as estações.
JG: Quais os tamanhos de suas propriedades?
Basegio: A de Coxilha tem 1200 hectares e a de São Gabriel do Oeste, 2.500 hectares. Na propriedade do Mato Grosso, de início começamos com pecuária, mas hoje plantamos também.
JG: Na Expodireto vemos o quanto evoluiu a agricultura, utilizando tecnologias de ponta?
Basegio: Com certeza, hoje não há mais espaço para o amadorismo. Antigamente com muito esforço colhíamos 25 sacos por hectare, hoje nossa meta é 100 sacos por hectare. E tem que ser assim, o produtor rural precisa cobrir os custos e para isso investir em qualidade e tecnologia é essencial.
JG: O plantio direto seria uma destas tecnologias?
Basegio: Sim, graças a nossa tradicional empresa de Passo Fundo, a Semeato, hoje contamos com essa brilhante tecnologia que levou a mecanização para o campo. Produzindo mais, com mais lucro em espaços menores. Não existe mais a ideia de se aumentar a propriedade sem utilizar todos os seus espaços.
JG: Como a New Holland entrou em suas propriedades?
Basegio: Posso dizer, sem medo de errar, que sempre esteve lá. É uma tradição familiar, antes de mim e meus irmãos, meu pai já usava o maquinário da New Holland, a primeira aquisição foi feita no ano de 1968.
JG: Agricultura de precisão, mas com respeito ao Meio Ambiente?
Basegio: Claro, como já afirmei hoje conseguimos produzir mais utilizando extensões de terra menores. Respeitando áreas de mata nativa e as nascentes dos rios. Agricultura e tecnologia aliadas a sustentabilidade.
JG: O senhor confirma a super safra?
Basegio: Sim, neste ano a colheita de soja deve ser muito boa, o clima ajudou. Agora aqueles que não se preocuparam com a lavoura, podem ter surpresas pois com o clima chuvoso, algumas doenças podem aparecer.
JG: O trigo não tem recebido a atenção devida. O senhor faz questão de plantar a cultura?
Basegio: Sempre planto trigo, não deixo de plantar. Para que o plantio direto se de, de fato, a terra precisa estar sempre coberta. Mas entendo que muitos produtores não façam o mesmo pois os custos são elevados e o preço mínimo pago hoje não estimula. Seria necessário que o governo investisse em políticas públicas fixas para o setor.