Transporte coletivo: momento anormal causado pela pandemia adia licitação dos ônibus
O transporte público está em um momento de dificuldades gigantescas, agravadas pela pandemia do coronavírus. Mesmo antes das medidas de restrição eclodirem em todo país, esse setor já vinha atravessando um período de queda no número de passageiros, diminuição dos lucros, aumento de despesas e dispensas de trabalhadores.
A restrição na circulação de pessoas, para conter o avanço do coronavírus, adotada desde março de 2020, fez com que a situação se agravasse, gerando por todo Brasil fechamento de empresas, greves de trabalhadores e piora no serviço oferecido ao público.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor fez um levantamento que apontou 41 paralisações em 17 estados e no DF desde janeiro deste ano. No Rio Grande do Sul já aconteceram paralisações em 5 cidades.
Como medidas para amenizar o impacto da pandemia no serviço de ônibus, prefeituras estão disponibilizando subsídios para empresas operarem, reduzindo gratuidades e reajustando o valor das passagens. Em São Paulo/SP esse auxílio financeiro as empresas pode chegar aos R$ 4 bilhões nesse ano.
Em Porto Alegre, o prefeito Sebastião Mello, enviou para a Câmara de Vereadores um projeto para cortar as isenções nos ônibus. O projeto visa cortar de 14 para 9 categorias com direito passagem de graça. Além disso autorizou um reajuste de 0,25 para a tarifa que passou a custar 4,80.
Aqui em Passo Fundo o panorama de dificuldades do setor do transporte coletivo não é muito diferente. Hoje são duas empresas que operam, Coleurb e Codepas (empresa pública). Em abril de 2020 a Transpasso, após 25 anos de atividades, fechou as portas. Na Codepas, representantes da categoria denunciam demissões sem justificativas e cobram explicações da direção da companhia.
Em meio a esse cenário, a população cobra por melhoria nos serviços, bilhetagem eletrônica, mais veículos, mais horários e linhas a disposição. Esses itens foram incluídos no processo de licitação do transporte coletivo, inciado há 7 anos e que teve seu resultado final impugnado duas vezes por questões judiciais.
O prefeito Pedro Almeida (PSD), que assumiu em janeiro, está analisando o momento e anunciou durante entrevista na Uirapuru que a necessidade de licitação existe, que é um plano fazer, mas que o cenário é anormal e exige cautela.
Em todos os lugares do país o transporte de passageiro passa por um momento muito difícil. Aumento dos insumos (diesel e impostos, etc.), queda de passageiros e outras questões impactam neste setor. Acredito que esse é um período muito delicado para uma licitação dessa importância”, disse.
Segundo o prefeito, atualmente é difícil fazer cálculos relacionados ao transporte, porque é uma situação anormal imposta pela pandemia. Apesar disso, garantiu que junto a sua equipe está fazendo as avaliações.
Vamos fazer, mas precisamos de cautela pois esse é um momento muito sensível”, afirmou o prefeito.
Com relação a tarifa do ônibus em Passo Fundo oficialmente não há definição relacionada a aumento. O último reajuste ocorreu em fevereiro de 2020, quando o valor subiu 10,25%, saído dos R$ 3,90 e chegando a R$ 4,30.