Tragédias fascinam : especialista afirma que desejo de estar perto da morte e do fim é irracional
Na noite de ontem, dia 15, um incêndio de proporções históricas atingiu o centro de Passo Fundo. O antigo prédio de 74 anos, conhecido por pertencer à família Ughini e que hoje abrigava o Mercado Moy, a loja de tecidos Visage e a de cosméticos LS, na Bento Gonçalves com a General Osório, foi tomado pelo fogo.
Apesar da grandiosidade do sinistro, que durou cerca de 4 horas, não houve nenhuma vítima. O trabalho do Corpo de Bombeiros, das policias e de empresas que apoiaram a ação foi excepcional. No entanto, um fato chamou a atenção: a curiosidade da população, muitas vezes pondo a própria vida em risco e acabando por dificultar ainda mais o trabalho de combate ao fogo. Centenas de pessoas foram ao local, inclusive levando os filhos, sem atentar para o perigo, até mesmo de contaminação pela fumaça.
Para explicar esse fascino que as tragédias exercem nas pessoas, o psiquiatra Carlos Hecktheuer falou aos ouvintes da Rádio Uirapuru. Segundo frisou os seres humanos se sentem atraídos pela morte, pelo fim, ou pelo término das coisas que existem e perecem.
Conforme ressalta, muitas vezes os curiosos não agem conscientemente, o desejo de presenciar o inevitável, a morte é irracional. Tanto que não se importam com os riscos e, ainda mais, levam junto seus filhos, o que na opinião do especialista é uma irresponsabilidade, pois a criança não tem a maturidade para compreender a gravidade deste tipo de evento.