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Teste da Linguinha previne e identifica alterações nos recém-nascidos

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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Logo nos primeiros dias de vida, os bebês nascidos na Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, são submetidos a vários testes de triagem, como o da Orelhinha, do Pezinho e do Coraçãozinho. Importantes para a detecção e tratamento de problemas nos recém-nascidos, os testes de triagem garantem saúde e qualidade de vida para os bebês.

 

Pensando nisso, há aproximadamente um ano, o HSVP, através da equipe de fonoaudiólogas aplicam o Teste da Linguinha, responsável por detectar alterações no frênulo lingual do bebê. Este teste se tornou obrigatório pelo Ministério da Saúde, nesta segunda-feira, 23 de junho, quando foi publicada a Lei 13.002 no Diário Oficial da União.

 

Segundo a fonoaudióloga do HSVP, Lisiane Siqueira, o frênulo lingual é uma membrana mucosa que vai da língua até o assoalho da boca, responsável pela mobilidade da língua. Ela explica que quando esse frênulo está inserido em lugar errado, ou está muito curto ou longo, causa limitações de mobilidade da língua e com isso diversos problemas para a criança. “

 

A amamentação é fundamental para o bebê, mas para mamar, ele precisa de uma boa movimentação de língua, já que o leite é sugado a partir da elevação da língua fazendo uma pressão contra o mamilo. Caso o bebê tenha o frênulo lingual com alguma alteração, ele vai mamar menos tempo, mais vezes ao dia e muitas vezes, vai ficar com fome, e a mãe cansada, pelas diversas mamadas ao longo do dia”, salienta a especialista, explicando que com o teste e as precauções necessárias evita-se o desmame precoce.

 

O aleitamento materno não é o único agravante do frênulo lingual com alteração. Conforme Lisiane, problemas dentários, com a fala, limpeza dos dentes e deglutição podem ser ocasionados se o tratamento correto não for feito. “Se observada alteração no frênulo lingual, o bebê é encaminhado para o ambulatório, onde realizamos o teste completo da linguinha e, se a alteração é confirmada, é encaminhado para a cirurgia, a qual realiza-se a secção desse frênulo. Este procedimento é de rápida cicatrização e recuperação. Em crianças maiores e em adultos, esse procedimento é mais complicado, pois a recuperação e a cicatrização são mais demoradas”, destaca a fonoaudióloga, evidenciando a importância de realizar a cirurgia assim que a alteração for detectada.

 

Resultados comprovados

Em uma pesquisa realizada de janeiro a março de 2013 no HSVP, pelas alunas do curso de Fonoaudiologia da Universidade de Passo Fundo (UPF), Laura Giacometti e Ana Laura Varella, orientadas pela fonoaudióloga Lisiane, foram encontrados em média 26 recém-nascidos, por mês, com alteração no frênulo lingual.

 

“Em contato telefônico com as mães dos recém-nascidos que realizaram o procedimento cirúrgico, 90,9% referiram melhora na amamentação, aumentando a ingesta de leite e diminuindo a dor ao amamentar, pela melhora da sucção. Apenas uma mãe não percebeu a melhora, visto que realizou o procedimento antes de iniciar o aleitamento materno”.

 

Mãe das gêmeas Lariane e Indaiane, Soraia da Silva, foi surpreendida ao saber que as duas filhas foram diagnosticadas com a alteração no frênulo lingual. Após avaliação, as bebês já realizaram o procedimento e tiveram uma melhora na amamentação.

 

“A Lariane antes de realizar o procedimento, tinha dificuldade para mamar, cansava bastante e se afogava com frequência. Depois da cirurgia, ela começou a mamar mais e cansar menos. Dá para perceber que é muito importante realizar o teste e o procedimento logo após o nascimento”, pontua a mãe.