Terceiro dia de protesto: grupo de caminhoneiros da região exige diesel a R$ 2,80 o litro
Na terça-feira (22), o governo fechou acordo com o Congresso para zerar um dos impostos que provoca o aumento no valor do diesel, o Cide. A Petrobras também anunciou redução no preço do diesel e da gasolina. Mas as estratégias de tentar acabar com os protestos de caminhoneiros não deram certo.
Ontem (23), pelo terceiro dia consecutivo, os caminhoneiros realizaram manifestações contra o aumento no preço de combustíveis por todo o país. Em algumas rodovias no Estado as manifestações foram violentas, caminhoneiros queimaram pneus, espalharam pregos pelas rodovias, na RS-239, em Araricá, jogaram pedras em caminhões e veículos de carga que tentaram passar pelo bloqueio, na BR-101, em Três Cachoeiras, um manifestante foi atropelado por um veículo de passeio.
Em Passo Fundo, um grupo se reuniu na BR-285 em frente ao Posto Buffon. Não foram feitos bloqueios para carros, mas os condutores de caminhões foram convidados a aderir ao ato. Ângelo, um dos líderes do movimento, falou à Uirapuru que as medidas apresentadas até o momento não vão influenciar em nada porque, em quanto a categoria pede uma redução de 30 a 40% no valor do óleo diesel, o governo vem com uma proposta de diminuição de 1,54%, que amanhã depois pode subir.
Ângelo disse que pelos cálculos da categoria, o ideal seria um patamar de R$ 2,70 a R$ 2,80 o litro, que hoje está na média de R$ 3,70 na cidade. Falou ainda que é preciso rever o valor dos pedágios, que hoje os caminhoneiros chegam a pagar mais de R$ 4 mil por mês, manter o frete e não incluir mais cargas tributárias aos empresários.
Júlio Borella, representante dos agricultores destacou que a luta contra o aumento no preço de combustíveis não é só dos caminhoneiros. Para a agricultura o óleo diesel é primordial, não sendo possível substituí-lo. Borella disse que hoje o diesel impacta entorno de cinco sacas de soja por hectare. Explicou que em uma operação na agricultura, desde o plantio até a colheita, é gasto cerca de 80 litros de diesel por hectare, um valor altíssimo. Reforçou que é preciso retirar o imposto do óleo diesel.
Devido às manifestações, algumas cidades como Santa Vitória do Palmar, na fronteira com o Uruguai, ficaram sem abastecimento de combustível ontem à tarde.