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Política

Falta de autonomia e divergência sobre cloroquina levaram Teich a deixar ministério

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

Ao depor nesta quarta-feira na CPI da Covid do Senado, o  médico oncologista Nelson Teich, segundo ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, repetiu várias vezes que deixou o governo quando percebeu que não teria autonomia para fazer o que ele achava ser necessário para que o Brasil atravessasse uma crise tão difícil, situação que se refletiu na discordância em relação à cloroquina.

“Enquanto a minha convicção pessoal, baseada em estudos, era de que naquele momento não existia evidência para liberar, existia um entendimento diferente por parte do presidente, que era amparado na opinião de outros profissionais, até do Conselho Federal de Medicina”, mencionou.

Disse não ter conhecimento sobre a fabricação do medicamento em laboratórios do Exército e negou ter distribuído a substância para comunidades indígenas e que tivesse recebido ordem expressa do presidente para adoção do medicamento em todo o país.

Teich explicou que se trata de uma droga com efeitos colaterais de risco, sem dados concretos sobre seus reais benefícios, e havia ainda preocupação com o uso indiscriminado e indevido por parte da população.

Ao abordar também o assunto, os senadores Luiz Carlos Heinze (PP-PR), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Marcos do Val (Podemos-ES) reclamaram da “politização” do tema e afirmaram que a ciência está dividida e que há especialistas e centenas de estudos científicos com resultados favoráveis ao medicamento.

Teich, por sua vez, sublinhou que é preciso se orientar por instituições internacionais reconhecidas e, por isso, não recomenda o uso desse e outros medicamentos contra covid-19.

Senadores como Otto Alencar (PSD-BA), Zenaide Maia (Pros-RN) e Fabiano Contarato (Rede-ES) se uniram às recomendações do ministro, contrárias ao uso de cloroquina. Otto afirmou que Heinze estava “completamente equivocado” quanto ao tratamento, pois a cloroquina não serve contra covid e pode ter graves efeitos colaterais.

Vacinas 

Em relação às vacinas, Teich declarou que durante a sua gestão começaram as tratativas sobre os imunizantes, mas com foco nos estudos clínicos, e não nos contratos e nas compras. Afirmou ainda que fez contato com três empresas e que integrantes da pasta podem ter conversado com outras instituições.

Para o médico, o país poderia sim ter antecipado na compra de imunizantes; mas, para isso, teria que ter entrado numa espécie de compra de risco.