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Saúde

Tecnologias digitais a serviço de um envelhecimento ativo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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Melhorar o equilíbrio, a capacidade cardiovascular, a respiração ou mesmo a atenção de pessoas idosas parecem coisas simples, mas que podem ter uma contribuição importante na redução de acidentes e na melhoria da qualidade de vida. O uso de tecnologias digitais como os exergames, jogos de videogame em que a pessoa interage com o equipamento por meio de sensores de movimento, por exemplo, é objeto de estudos realizados internacionalmente. Na Universidade de Passo Fundo (UPF), o Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano (PPGEH) mantém o grupo de pesquisa Estudos das Tecnologias de Informação e Comunicação em Saúde que se dedica a estudar o potencial dessas ferramentas digitais para a prevenção e a recuperação de problemas de saúde de pessoas idosas.

 

Esse trabalho está institucionalizado desde 2012, mas pesquisas nessa área já são realizadas na Instituição desde 1998. Em função do caráter multidisciplinar do PPGEH, as possibilidades de estudos que se abrem são muitas, conforme explica o coordenador do grupo de pesquisa Dr. Adriano Pasqualotti. “Nosso objetivo central é trabalhar os processos de interação e intervenção. O projeto que está institucionalizado, e que é o guarda-chuva do trabalho, tem como objetivo avaliar as questões que envolvem os aspectos físicos, psicológicos e biológicos”, explica. Todas essas tecnologias têm usos potenciais para auxiliar a recuperação de pessoas que tiveram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou que enfrentam o Alzheimer, por exemplo.

 

Muitas perguntas

O número de perguntas que estimula os pesquisadores só aumenta a cada lançamento de uma nova tecnologia. E assim como elas surgem a todo o momento, o trabalho dos pesquisadores também já consegue encontrar muitas respostas. O professor Pasqualotti explica que ainda não foi encontrada uma forma de utilizar jogos virtuais ativos para melhorar a força das pessoas idosas, por outro lado, há dados com resultados significativos com relação à melhora da capacidade funcional, flexibilidade, marcha, melhora da respiração, condições cardiovasculares, memória e atenção. “Além disso, a interação entre os participantes das atividades gera reflexos positivos, além do esperado com a pesquisa. Em um estudo realizado com pacientes que sofreram AVC, por exemplo, descobrimos que há uma melhora em relação à fisioterapia tradicional, por envolver, além do exercício, diversos outros estímulos”, simplifica o professor.

 

O risco de uma pessoa de 80 anos ou mais sofrer uma queda é 25% maior em relação a pessoas mais jovens. O professor explica que uma queda e uma fratura de fêmur, por exemplo, nessa fase da vida, pode levar a outras comorbidades que aumentam em muito as chances de a pessoa falecer. “Conseguindo melhorar o equilíbrio e a marcha, diminuímos a possibilidade da queda”, destaca o pesquisador sobre os resultados já encontrados.

 

Tablet na UTI

Uma pesquisa desenvolvida no grupo testou o uso de um tablet com aplicativo específico para facilitar a comunicação de pessoas internadas em UTI. O estudo, que durou mais de seis meses, teve como finalidade permitir que o paciente pudesse se comunicar com a equipe multidisciplinar de atenção e com a própria família, indicando as necessidades deles. “Eles estavam em uma condição na qual não podiam se comunicar. O aplicativo permitia indicar dores e situações de desconforto, por exemplo. Quando a demanda era atendida, o paciente se sentia melhor e tinha melhor percepção do atendimento”, relata o professor Pasqualotti.

 

Suplementos alimentares

Além de avaliar o uso de tecnologias, estudos em andamento no grupo buscam encontrar respostas sobre como o uso de suplementos alimentares, como é o caso do Ômega 3, combinados com exercícios físicos realizados por meio de interface digital auxiliam – ou não – na melhoria da qualidade de vida de pessoas idosas. Outros trabalhos buscam identificar como diferentes tipos de conteúdo influenciam o comportamento de pessoas em redes sociais. Uma pesquisa também está sendo desenvolvida para analisar se os exercícios físicos realizados com auxílio de um exergame têm o mesmo efeito da atividade tradicional e, em outra investigação, busca-se  identificar como uma rádio-poste instalada em uma casa de longa permanência terá efeitos sobre as estruturas cerebrais de pessoas com Alzheimer.

 

Grupos participantes

Os estudos realizados pelo grupo de pesquisa contam com parcerias de casas de longa permanência para idosos e com a Coordenadoria de Atenção ao Idoso, por meio do Dati, da Prefeitura de Passo Fundo. Um grupo de 850 participantes do Dati respondeu a um questionário organizado pelo grupo de estudos. Parte dos dados coletados será apresentada, no próximo dia 22 de setembro, no I Seminário GeronTecSaúde, que permitirá traçar um perfil desse grupo e suas necessidades. A programação terá início às 14h, no Auditório Biomédico da Faculdade de Medicina, Campus II da UPF, em frente ao Hospital São Vicente de Paulo, com entrada livre.