Técnica que criou anticorpos potentes contra coronavírus através do sangue de cavalos precisa de mais análises, diz professor
O período de escuridão na luta contra o coronavírus dá cada vez mais sinais que está chegando ao fim. Já há vacinas registradas e muitas estão em fase final de testes, com ótimos resultados. Porém, hoje mais uma boa notícia foi divulgada e vem de um antigo e importante amigo do homem: o cavalo.
Trabalhos iniciados em maio deste ano por pesquisadores brasileiros de várias instituições científicas verificaram que soros produzidos por cavalos para o tratamento da covid-19 têm, em alguns casos, até 100 vezes mais potência em termos de anticorpos neutralizantes do vírus. Isso torna este plasma muito mais eficaz que o desenvolvido através de humanos.
Em entrevista na Uirapuru, o professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação da UPF, Dr. Luiz Carlos Kreutz, explicou que o uso de animais na produção de vacinas não é novo. O ser humano já faz isso há mais de cem anos de forma eficaz. Ele citou o caso de Passo Fundo, que usa soro produzido por taturanas e cobras como matéria-prima para proteção ao veneno destes animais, por exemplo.
No caso do cavalo usado na produção do soro e anticorpos, trata-se de um procedimento complicado e demorado, pois envolve duas espécies: a humana e o equino.
Kreutz disse que, este processo, com resultado satisfatório, é uma tecnologia brasileira e os próximos passos serão um processo de validação, observando efeitos colaterais e eficácias na prática em humanos. É o primeiro e importante passo, mas não sabe-se ainda quais efeitos colaterais os anticorpos gerados em um cavalo podem causar em uma pessoa.
O professor frisou que ainda há um caminho a ser percorrido, mas trata-se de mais uma boa notícia na luta contra o coronavírus.
Ouça a entrevista com o professor e coordenador do programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação da UPF, Dr. Luiz Carlos Kreutz: