Taxa de juros elevada impacta setor produtivo, mas segura inflação e deve continuar nos próximos meses
O Banco Central divulgou a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária que confirmou, pela quarta vez consecutiva, a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. O documento reforça que a inflação segue como principal foco da autoridade monetária e não sinaliza o início de um ciclo de cortes de juros no curto prazo, contrariando expectativas de parte do mercado financeiro, que projeta reduções apenas a partir do primeiro trimestre de 2026.
Ao analisar o contexto econômico, a economista, doutora em economia e professora da UPF, Cleide Moretto, avalia que as ações do Banco Central evidenciam uma postura conservadora. De acordo com ela, a autoridade monetária opta por manter os juros elevados diante do risco de descumprimento da meta de inflação e de um possível retorno da instabilidade nos preços. Mesmo com o crescimento do Produto Interno Bruto no último trimestre, o avanço foi inferior ao registrado anteriormente, o que não foi suficiente para justificar uma flexibilização imediata da política monetária. Cleide explica que um dos principais fatores que impedem a redução da taxa básica de juros é o comportamento das contas públicas.
O aumento recorrente do déficit fiscal, com o governo gastando mais do que arrecada, eleva a necessidade de financiamento e pressiona a taxa de juros. Esse cenário acaba limitando a margem de manobra do Banco Central, que segue adotando uma política monetária contracionista para conter a demanda agregada. A economista ressalta ainda que o ambiente político também pode influenciar as decisões, já que 2026 será um ano eleitoral.
A expectativa, segundo ela, é de manutenção da Selic em patamares elevados pelo menos até o início do próximo ano, com a possibilidade de alguma flexibilização apenas mais adiante, caso o cenário permita. Apesar do impacto negativo dos juros altos sobre o setor produtivo, especialmente para empresas que dependem de crédito para investir e expandir, Cleide destaca que o mercado de trabalho segue aquecido. Os dados indicam que o país opera próximo ao pleno emprego, o que contribui para sustentar a estratégia atual do Banco Central. Nesse contexto, a tendência é de que a taxa de juros permaneça em níveis historicamente elevados por mais tempo, avaliou Cleide Moretto.