Taxa de juros elevada atrai investimentos de fora e desvaloriza o real, explica economista
O dólar se mantém em alta nesta semana, chegando a bater R$ 5,46, acompanhando movimento internacional de fuga para a segurança em meio aos temores de uma recessão global. No acumulado do mês, já subiu 2,99%. No ano, ainda tem desvalorização de 3,33% frente ao real.
Além disso, o euro continuou a cair em relação ao dólar, atingindo uma nova mínima em 20 anos, devido aos crescentes temores de uma recessão das principais economias do Velho Continente em um contexto de forte inflação. A moeda europeia chegou ao seu nível mais baixo desde dezembro de 2022.
Conforme a economista e professora do curso de Economia da UPF, Cleide Moretto, durante a pandemia ocorreu uma redução geral do nível de produção e comercialização em todos os setores. Até mesmo o turismo, que movimentava e alavancava a economia em vários locais no mundo, parou em função das restrições. Neste período pós-pandemia, outros problemas surgiram, entre eles a guerra entre Rússia e Ucrânia, fazendo com que diversos insumos continuassem em baixa no mercado, travando a retomada econômica.
A economista explica que, embora a guerra envolva apenas os dois países, vários outros dependem de Rússia e Ucrânia e acabam envolvidos no conflito de forma indireta. A guerra influenciou na distribuição de insumos básicos como fertilizantes, petróleo e outras commodities, travando a economia mundial e elevando os preços de forma geral.
De acordo com Cleide Moretto, o Brasil é uma porta de entrada importantíssima para aplicadores estrangeiros. O sistema financeiro brasileiro tem uma das maiores taxas de juros, por isso, quem tem dinheiro para investir aplica em rendas fixas no país e garante o retorno dos juros. No entanto, esse dinheiro fica parado e não movimenta a economia brasileira. Com muita moeda estrangeira aplicada no Brasil, o real acaba desvalorizado frente ao dólar, impactando em diversos setores, como os combustíveis, por exemplo.