Tânia Rösing relembra histórias marcantes e conta como surgiu a Jornada Nacional de Literatura
A convidada do Uiracast desta semana foi a professora e coordenadora das Jornadas Nacionais de Literatura, Tânia Rösing. Durante o bate-papo, ela falou sobre sua carreira e as memórias de mais de 40 anos na organização das Jornadas. O Uiracast é o podcast da Rádio Uirapuru. O programa vai ao ar todas as segundas-feiras, às 19h, no canal do YouTube e no Facebook da emissora.
Tânia nasceu e cresceu em Passo Fundo. A última filha de uma família de mais quatro irmãos, estudou durante toda a sua infância e adolescência no Instituto Educacional (IE). Ela recorda que teve uma infância muito regrada, na qual tinha que acordar às 5h para estudar para a escola e ensaiar piano. Aos 18 anos, quando concluiu o Ensino Médio, foi convidada a lecionar no IE as matérias de língua portuguesa e literatura. Tânia afirma que os livros e a leitura sempre fizeram parte de sua vida e, na época, tinham importância fundamental na formação dos alunos.
Tânia ingressou na faculdade e se formou no curso de Letras da Universidade de Passo Fundo. Mais tarde, fez mestrado e doutorado na Europa. Seguiu trabalhando como professora no IE, no Colégio Cecy Leite Costa e na UPF. A professora afirma que a profissão é a grande realização de sua vida e que é apaixonada pela área. Somados todos os trabalhos, Tânia tem uma carreira de mais de 50 anos de sala de aula. Tânia foi casada com Acioly Rösing por 56 anos. Acioly faleceu no ano passado. Do casamento, nasceram os filhos Cassiano e Ilana.
A coordenadora das Jornadas lembra com emoção do dia em que recebeu em sua casa o escritor Josué Guimarães. Foi em abril de 1981, há 42 anos, que ela fez a proposta a Josué Guimarães para que pudessem trazer escritores a Passo Fundo para conversar com os leitores. A condição seria que, antes, as pessoas leriam as obras dos autores que estariam presentes. Ela afirma que, na época, Porto Alegre estava muito distante de Passo Fundo e as pessoas não tinham acesso aos escritores. A ideia foi apresentada para o então reitor da UPF, Dr. Bruno Markus, que deu o aval para o evento acontecesse.
Naquele momento, surgia a Jornada Sul-Rio-Grandense de Literatura. Entre os escritores estavam Mário Quintana, Armindo Trevisan, Moacyr Scliar, Carlos Nejar, Sérgio Caparelli e Ciro Martins. O primeiro evento foi um sucesso e ficou definido que seria realizado a cada dois anos, porém a nível nacional. Desse modo, a segunda edição já foi batizada de Jornada Nacional de Literatura.
Na segunda edição, a presença de grandes autores como Millôr Fernandes, Fernando Sabino, Luiz Fernando Veríssimo, Lya Luft, Luís Antônio de Assis Brasil, e o jornalista José Onofre, entre outros, deu a chancela para o evento tornar-se um dos maiores do país. Mais tarde, foi criada também a Jornadinha Nacional de Literatura, voltada ao público infantil. As Jornadas deram a Passo Fundo o título de Capital Estadual e Nacional de Literatura. Em 2015, Tânia anunciou o fim da Jornada Nacional de Literatura alegando falta de verbas e foi retirada do comando do evento.
Confira o episódio completo do Uiracast: