Suspensão da exportação de carne de frango para a Arábia Saudita não deve impactar o setor
A Arábia Saudita, segundo maior comprador de carne frango do Brasil, suspendeu as exportações da proteína de 11 unidades brasileiras, das quais sete pertencentes ao grupo JBS, incluindo a de Passo Fundo, em momento em que o país árabe busca a ampliação da produção interna para se abastecer.
O governo brasileiro recebeu a informação “com surpresa e consternação” e pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso se comprove a imposição de barreira indevida, conforme nota conjunta dos ministérios da Agricultura e Relações Exteriores divulgada nesta quinta-feira.
De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, a suspensão da exportação de frango para a Arábia Saudita não deve impactar no setor, pois o mercado internacional se ampliou ao longo da pandemia.
O presidente explica que toda a carne que é enviada para os países Árabes é certificada e passa por rituais islâmicos. Em cada frigorífico tem um representante de cada país que observa o processo de abate e certifica a procedência. Portanto o motivo da suspensão da importação de carne brasileira não tem nada a ver com a qualidade e a sanidade do produto.
Turra explica que todas essas exigências tem um custo para os frigoríficos, sendo que para exportar para outros mercados do mundo isso não se faz necessário. Mesmo assim, as empresas tem interesse no mercado Árabe, entretanto os países não justificaram por qual motivo suspenderam as importações.
Conforme Turra, a Arábia Saudita é um dos maiores consumidores de frango, cada habitante consome cerca de 80 quilos de carne por ano. Eles não comem carne suína e o frango surge como alternativa.
De acordo com o conselheiro, as empresas vão ter que se organizar com a suspensão da exportação para esses países, porém não impacta no setor.