Soldado da BM é convidada para ser madrinha de menina de 3 meses que acolheu durante ocorrência Maria da Penha em Passo Fundo
Farda bem passada, coturno com um brilho diferenciado, pistola na cintura e o rádio pronto para receber chamados. Era para ser só mais uma noite de trabalho para a soldado Sílvia dos Santos de Lima que mais uma vez saiu de casa para cumprir sua jornada como policial militar, função que desempenha há dez anos.
Próximo da meia-noite, um chamado via 190 dava conta de que mais uma mulher estava sendo agredida em algum ponto de Passo Fundo. A ocorrência foi passada via rádio, através da sala de operações da Brigada Militar e a guarnição que a soldado compunha se deslocou até a casa da vítima.
No local informado, além da vítima estava o companheiro da mulher que foi agredida, e para surpresa da Soldado Sílvia, uma criança de apenas três meses de idade.
A criança chorava muito e a mãe, nervosa e revoltada com a situação de agressão dentro de casa, apresentava hematomas pelo corpo. A vítima estava sem condições de atender a pequena criança a quem havia posto no mundo. Coube a soldado, a missão de acolher a menina que certamente sofria junto com a mãe aquela situação de violência doméstica.
“A criança chorava muito e a mãe pediu que eu segurasse a pequena”, disse Sílvia que na companhia da mulher agredida deslocou até a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento para o registro da ocorrência.
“A partir do momento que a menina me olhou, eu senti que foi um carinho muito grande” contou a soldado que acolheu e acalmou a criança em seus braços.
Já na DPPA, a soldado tentou entregar a criança novamente para a mãe, mas ela voltou a chorar, motivo que fez com que a soldado permanecesse com a criança em seus braços até ela adormecer.
O fato foi registrado em uma fotografia que exemplifica o excelente trabalho realizado pela Brigada Militar e a imagem ganhou notoriedade através da rede social do 3º Rpmon.
Ao ser indagada pela reportagem da Uirapuru, Sílvia contou que ocorrências envolvendo violência doméstica não são raras, e que como integrante da Patrulha Maria da Penha, recebe treinamento para saber lidar com situações onde mulheres são agredidas. “Quando você vivencia a situação é diferente, você tem que saber reagir”, destacou a policial que disse também que foi muito gratificante poder acolher aquela pequena menina e fazer sua parte para melhorar a condição momentânea da criança.
Sílvia, que também é mãe, contou que apesar do receio que sua filha tem com os riscos inerentes a função de policial militar, sente orgulho do papel desempenhado pela soldado. “Debaixo da farda tem um ser humano, uma pessoa que se emociona e tem sentimentos”, disse a brigadiana que tirou alguns minutos para falar com orgulho da Instituição que compõe.
Sílvia contou também sobre a reação da mulher, que foi agredida e sentiu na pele a dor da violência doméstica. “Ela foi até em casa agradecendo a Brigada Militar pelo atendimento e me convidou para ser madrinha de batizado da menina”, disse orgulhosa a soldado.
A ocorrência contra o agressor que foi identificado, foi registrada e remetida à Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher (DEAM) que acompanhará o caso.
Silvia que trabalha no Núcleo de Policiamento Comunitário (NPC), conta que realiza palestras nas escolas e orienta os alunos a denunciar casos de violência doméstica para que o Estado possa intervir e prevenir casos de agressão. “Coloco aos adolescentes que denunciem abusos, violência, agressões para que possamos tentar amenizar a situação. Não aceitem nenhum tipo de violência, seja física ou mesmo psicológica” concluiu.