Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não recomenda uso de hidrogel: licença do produto está vencida desde 2013
Os casos recentes, da modelo gaúcha, Andressa Urach, internada, em estado grave, com uma infecção na coxa esquerda que teve origem em uma aplicação de hidrogel e o de uma mulher que morreu em Goiânia depois de passar pelo procedimento de aplicação do mesmo produto no bumbum, soam o alerta para este tipo de procedimento.
Para esclarecer aos ouvintes, a Rádio Uirapuru conversou com o médico cirurgião plástico, Sérgio Panizzon. Segundo o cirurgião o hidrogel, utilizado para preenchimento e aumento de volume em regiões como o bumbum e as coxas, não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
De acordo com o órgão, o gel que tem em sua composição 98% de água e 2% de polimida, é um produto produzido em laboratório da Ucrânia cujos estudos científicos a longo prazo são inconclusivos. Alertando, ainda, que segundo informa o site da ANVISA, a licença de comercialização do HIDROGEL está vencida desde o dia 29 de dezembro de 2013, o que faz o seu uso um ato de contravenção sujeito à penalidades.
O médico revela, que embora a aplicação deva ser feita por cirurgiões plásticos ou dermatologistas, a maioria dos cirurgiões não fazem uso da técnica, devido aos grandes riscos que apresenta.
Como o procedimento prevê o depósito de uma grande quantidade de material sob a pele, há risco de o produto ser injetado perto de um vaso e comprimi-lo. Também há risco de o produto comprimir um nervo, provocando dores fortes.
Outro risco é que o produto seja injetado dentro de um vaso sanguíneo, o que pode levar a uma trombose, septicemia e à necrose da pele no local. Pode também provocar uma embolia pulmonar ou até cerebral, e levar à morte.