Sindicato demonstra indignação após Correios reduzir jornada de trabalho e salário de funcionários
Após registrar um prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024, os Correios anunciaram nesta segunda-feira (12) um pacote de ações com o objetivo de equilibrar as contas da empresa. As medidas, que devem começar a ser implementadas já em 2025, focam principalmente na redução de custos com pessoal, incluindo mudanças no plano de saúde dos empregados e cortes na jornada de trabalho de parte dos funcionários.
Sobre este assunto a Uirapuru conversou com Gelson Luiz Zapello, diretor da sub-sede do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Passo Fundo. Conforme Zapello, a categoria viu com surpresa este pedido. Afirmou que a demanda por trabalho é grande em Passo Fundo, com cada funcionário entregando cerca de 200 objetos por dia. Isso mostra como a demanda é grande e reduções de jornadas impactam negativamente neste fluxo.
Zapello classifica esse anúncio como um ataque aos trabalhadores dos Correios. Para ele, o governo está tentando achar justificativas para entregar a empresa para a iniciativa privada. De acordo com o diretor, os funcionários terão a carga horária reduzida de oito para seis horas e, consequentemente, isso impactará no salário de cada um. Outra medida anunciada foi que os trabalhadores não terão férias neste ano. Na assistência médica também haverá um corte.
Zapello afirma que isso é um descaso com os funcionários que batem de porta em porta entregando correspondências, selecionando encomendas e organizando a logística. Os Correios lançou também um Plano de Demissão Voluntária, porém, de acordo com o diretor, não é nada atrativa e poucos devem aderir. Ele afirma ainda que a empresa está usando essa situação em seu favor, pois está chegando a época de tratar do dissídio da categoria.
Mesmo diante de toda essa crise, Zapello garante que não há plano de paralisação dos trabalhos pela categoria. Ele destaca que todos sabem que a situação da empresa é crítica e uma greve só pioraria a coisa.