Signor acusado de encobertar fraudadores do leite
Paralela a oitava etapa da Operação Leite Compen$ado, executada ontem no Norte do Estado, a Polícia Federal veio a público com o resultado de investigações sobre corrupção e participação da Superintendência Regional do Ministério da Agricultura, responsável por fiscalizar a cadeia do leite no Rio Grande do Sul. O principal alvo das investigações Francisco Signor já foi exonerado do cargo que ocupava, de superintendente, há 12 anos.
Quando as primeiras fraudes do leite foram descobertas, ainda em2013, Signor falou aos ouvintes da Rádio Uirapuru e afirmou ao comunicador JG, que bebia leite e que a prática devia ser incentivada e ainda, que era muito difícil descobrir as adulterações, repassando a culpa para atravessadores e transportadores irregulares.
Hoje se sabe que, embora as adulterações investigadas pelo Ministério Público não tenham relação direta com a corrupção no órgão, o superintendente tentava intervir de diversas formas, abafando o caso. Tendo inclusive exigido que fiscais informassem quais as cidades seriam abordadas pela Operação, numa clara manobra para fortalecer sua relação com os empresários, os avisando do fato.
As investigações indicam também um grave conflito de interesses, sendo que Signor apesar do cargo público ocupado era, ainda, proprietário de uma empresa de transporte de animais vivos, leite e soro de queijo, a Sinzelar, fixada na cidade de Planalto.
Esta operação que culminou na descoberta de uma quadrilha, foi denominada pela Policia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União, como Semila (semente em espanhol). Dentre as táticas utilizadas para beneficiar o setor agroindustrial estavam desde redução de multas em processos administrativos até o aviso de que haveria fiscalizações.
Desde 2013 os resultados das sindicâncias apontam que Signor atrapalhava o trabalho de fiscais, praticava assédio moral e obrigava os ficas a anunciarem os alvos que estariam sendo investigados pelo Ministério Público.
Na casa do acusado foram encontrados R$ 145 mil reais em dinheiro e indícios de que ele teria arquivado processos, como auto de infração no valor de R$ 80 mil e reduzido multa de empresas no valor de R$ 3 milhões, para R$ 500 mil. Além disso, contratar a empresa dele também fazia parte do esquema, imposto aos empresários.
A Operação apontou que Signor teria praticado na Superintendência corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Embora tenha havido, nos 12 anos que ficou a frente do órgão, rumores de que ele perderia o cargo, os ministros mudavam, mas Signor permanecia no cargo.
Apesar de brigas e problemas com o Ministério da Agricultura em Brasília e de todas as descobertas da Operação Leite Compen$ado ele permaneceu coordenado o órgão. De acordo com testemunhas ele afirmava, frequentemente, que era amigo do ex-marido da presidente Dilma Rouseff e que essa relação o manteria no cargo.