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Saúde

Setor de cirurgias cardíacas nunca viveu um momento tão grave quanto o atual, diz médico

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

No Espirito Santo, médicos não vão mais fazer cirurgia do coração pelo SUS a partir de sábado (20) porque os fornecedores não querem entregar materiais abaixo dos preços. Essa defasagem de preços existe há anos e o setor cobra muito, mas não é atendido.

Essa situação não ocorre no Rio Grande do Sul, mas é uma realidade que também pode chegar nos hospitais daqui. Não há fornecedor que queira entregar material com preço abaixo dos custos atuais e os insumos são importados em dólares. Hospitais locais, por exemplo, já estão no limite. Como cirurgia de coração é urgente e pode causar óbitos se não forem realizadas, a situação preocupa.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o médico cardiologista, Dr. Luiz Sergio Fragomeni, declarou que, desde novembro de 2021, a situação ficou insustentável. Isso ocorre porque o Ministério da Saúde fez um reajuste nos preços dos insumos de todos os materiais de cirurgias cardíacas, como oxigenadores, válvulas, marcapassos e tudo que envolve materiais caros e, em sua maioria, importados. De acordo com Fragomeni, essa nova tabela baixou muito os preços dos insumos. Diante disso, fornecedores afirmaram que não entregariam mais os materiais.

Conforme o cardiologista, esse problema não ocorre só no Espirito Santo, mas em todo o Brasil. As indústrias não fornecem através dos valores do SUS e os hospitais acabam não conseguindo operar doentes emergenciais, a não ser que as próprias instituições ou os estados subsidiem a compra dos insumos.

De acordo com Fragomeni, Passo Fundo sempre foi referência do Estado em cirurgias cardíacas. Apenas no Hospital São Vicente de Paulo, cerca de 60 cirurgias eram realizadas por mês pelo SUS. Atualmente, 80% desse número de cirurgias segue acontecendo, porém, os materiais para realizar os procedimentos já estão começando a faltar.

Fragomeni ressalta que hospitais estão praticamente pagando para trabalhar, com falta de materiais e pacientes indo para uma fila que nunca termina. Caso as instituições não banquem os produtos, pessoas ficam sem cirurgia. Essa é uma situação que o cardiologista Luiz Sergio Fragomeni considera a mais grave desde que ele começou a atuar na área, no ano de 1980.

Nos microfones da Uirapuru, o médico afirmou que por enquanto não há uma solução para isso. De acordo com ele, as autoridades que poderiam tentar resolver estão mais preocupadas com campanhas políticas, enquanto esse problema que vem há anos está cada vez mais agravando.