Senador passo-fundense defende maconha para uso medicinal, mas reprova uso recreativo
Além das já conhecidas reformas da Previdência e tributária e do pacote anticrime, o Senado se prepara para enfrentar neste segundo semestre projetos polêmicos envolvendo temas como homofobia, maconha e armas.
As propostas estão sob relatoria de um senador de primeiro mandato que foi eleito depois de 18 anos atuando como delegado de polícia.
Trata-se de Alessandro Vieira, de 44 anos, nascido em Passo Fundo, mas que vive há 36 anos em Sergipe, estado pelo qual se candidatou e derrotou nomes tradicionais da política, como o ex-governador Jackson Barreto (MDB) e o líder do governo Michel Temer no Congresso, André Moura (PSC).
Falando na Uirapuru, Vieira contou que deixou Passo Fundo aos oito anos de idade quando foi para o nordeste com a família que iria trabalhar no ramo de alimentação. Explicou que ainda mantém uma ligação com o Rio Grande do Sul, porém desenvolveu toda sua trajetória em Sergipe.
O senador resolveu entrar na política para levar o trabalho contra corrupção desenvolvido como delegado, para o Congresso Nacional.
Sobre o projeto que permite o uso medicinal da maconha, do qual ele é relator, Vieira afirmou que é necessário diferenciar o uso do extrato da planta para fins medicinais e o uso recreativo da erva.
Em relação ao consumo, Vieira se mostra contrário, pela incapacidade de o Brasil cuidar da drogadição. O projeto, portanto, vai se limitar a cuidar apenas da liberação do remédio com o extrato da Cannabis, nos casos em que a ciência já comprovou uma eficiência do medicamento, e o custo é altíssimo.
O senador explicou que o alto valor acaba limitando o acesso somente a pessoas ricas, e, por isso, é preciso discutir essa situação.
Vieira disse que a polêmica em meio a liberação da maconha para fins medicinais é por conta da falta de informação da população. Ele defendeu este tipo de finalidade, mas frisou que o Brasil não pode liberar a maconha para uso recreativo, por diversão.
O senador mostrou-se otimista com a aprovação do projeto ainda no segundo semestre, por tratar-se de um projeto simples, desde que haja uma explicação e um entendimento da sociedade.
Outro projeto importante na pauta do senador, é a criminalização da homofobia. De acordo com Vieira, são 20 milhões de brasileiros que identificam-se como LGBT e que precisam de uma garantia de direitos e proteção.
A CPI da Lava Toga é outra bandeira erguida pelo senador em Brasília. Vieira declarou que trabalhou muitos anos no combate a corrupção e sabe da importância do Poder Judiciário, porém, na avaliação dele, existe um conluio entre grandes empresários e figuras importantes do Judiciário para manter esquemas fraudulentos no Brasil, que precisa terminar.