Sem Segredo: trabalho de cuidado feito pelas mulheres deve ser reconhecido por políticas públicas
Lavar, passar, limpar a casa, fazer comida, organizar e levar as crianças para a escola e cuidar das pessoas mais velhas e doentes. Estes são alguns dos exemplos trabalho de cuidado. Segundo a FGV, 65% dessas tarefas são feitas pelas mulheres no Brasil. Se esse esforço fosse medido economicamente, representaria um acréscimo de 12% no PIB brasileiro, conforme o IBGE. A invisibilidade do trabalho de cuidado da mulher, que acaba dobrando a sua jornada diária, foi tema do Sem Segredo da Rádio Uirapuru, deste sábado.
A doutora em direito e professora da Atitus, Tássia Gervasoni, disse que a Oxfan, uma organização internacional, estimou em 10.8 trilhões de dólares por ano no mundo, o trabalho de cuidado feito majoritariamente por mulheres. A cifra é três vezes maior do que o mercado de tecnologia movimenta no mundo.
O programa questionou se esse trabalho deveria ser remunerado e gerou uma preocupação especialmente dos homens em ter que pagar salário para suas companheiras. No entanto, a professora Tássia disse que não se trata de pagar um salário, mas sim, garantir políticas públicas que cuidem de quem cuida. Neste caso, citou a Argentina, criou uma legislação que permite incorporar o tempo dedicado ao cuidado da família para aposentadoria. Creches, atendimento à saúde e outras estratégias públicas, mas, principalmente a consciência de que é preciso compartilhar a responsabilidade do trabalho de cuidado devem ser soluções. Ouça o que diz a especialista em direita:
A psicóloga e professora da UPF, Marina Lazaretto, disse que o principal sintoma de que as mulheres estão sobrecarregadas é o cansaço. O esgotamento, o estresse e problemas emocionais como a depressão hoje são muito presentes entre as mulheres de dupla jornada. E muitas, segundo a psicóloga, não percebem que esse esgotamento é pela carga de atribuições que precisam dar conta, ao ponto de sentirem-se culpadas se não conseguirem.
Para Marina, a solução deste problema histórico passa pela educação das crianças, a quebra de paradigmas de que filhos homens não podem fazer tarefas domésticas, mas, principalmente, pela luta coletiva que envolva mulheres e homens na mesma direção: