Sem Segredo: só a mudança cultural vai acabar com a violência contra a mulher
A igualdade de gênero tem um longo caminho pela frente. Segundo estimativas da ONU, serão necessários de 270 a 300 anos para se chegar a um patamar igualitário. É por isso que cada vez mais as campanhas internacionais focam na preocupação com a violência contra as mulheres, como a data do último sábado que marca uma luta internacional. O Programa Sem Segredo aproveitou o tema para debater com os convidados as dificuldades enfrentadas para essa igualdade. A advogada Maiaja de Freitas, coordenadora do observatório da violência contra a mulher da OAB/RS disse que não bastam leis rígidas para acabar, especialmente com a violência contra a mulher.
Ela revelou que uma recente pesquisa nacional demonstrou 52% dos homens que cometem alguma agressão física ou psicológica são companheiros ou maridos e 15% ex-companheiros. Sobre a atitude das mulheres vítimas, 60% delas buscam apoio da família, 45%, da igreja, 31% fazem o registro policial em delegacias comuns e 22% em delegacias especializadas. O mais interessante é que 68% das entrevistadas conheciam alguma amiga ou familiar que sofreu violência.
Para a advogada, os números demonstram que esse tipo de violência ainda é aceito pela sociedade. E mais do que leis, é preciso abordar o tema sob o aspecto cultural de uma sociedade patriarcal, como disse a advogada:
O presidente da comissão da diversidade sexual e de gênero, Gabriel Dil disse que a violência de gênero atinge em maior número as mulheres, pois no Brasil, quatro mulheres são mortas por dia e 201 são estupradas. No entanto, população LGBTQI+ também é vítima de violência. A média de vida de mulheres trans é de 27 anos. De outro lado, Gabriel explicou que as mulheres tem o seu tempo para denunciar as agressões e que não devem ser julgadas por isso.