Sem Segredo: quanto mais cedo for o consumo de álcool na vida das pessoas, maior o risco
O consumo excessivo de álcool é apontado há décadas como a principal porta de entrada para outras drogas. Sozinho, o alcoolismo já é devastador na vida de pessoas e famílias. Passo Fundo tem alto índice de internações por alcoolismo, com quase 70 hospitalizações a cada 100 mil habitantes. O município atende, em média, 300 pessoas por mês, vítimas de dependência e complicações relacionadas ao consumo de álcool. No Brasil, quatro pessoas são hospitalizadas pela doença a cada hora.
As consultas primárias são realizadas nas UBSs e, quando necessário, encaminhadas para o serviço especializado. O alcoolismo preocupa não apenas famílias com adultos, mas também aquelas com adolescentes, que muitas vezes desconhecem os riscos do consumo descontrolado. Jovens entre 18 e 34 anos são o grupo com maior frequência de consumo, e esse hábito, em muitos casos, começa ainda na adolescência.
O tema foi debatido no mais recente programa Sem Segredo, apresentado por Zulmara Colussi, no último sábado. Participaram João Pedro Cardozo, promotor de Justiça; Raquel Fraga, hepatologista do Hospital de Clínicas; Luciana Medeiros, coordenadora da Rede de Apoio à Escola (SME); e Aline Barros Brutti, psicóloga do Núcleo de Saúde Mental.
Falando sobre o aspecto da saúde, Raquel Fraga explicou que quanto mais tarde uma pessoa ingerir bebida alcoólica pela primeira vez, melhor. Segundo ela, crianças e adolescentes não devem ter contato com o álcool. “Infelizmente, isso acontece em todo o mundo e, além das doenças psíquicas, o álcool ataca fisicamente o corpo”, destacou.
O promotor de Justiça João Paulo Cardozo ressaltou que a lei prevê como crime, passível de prisão, vender ou fornecer bebidas alcoólicas para crianças e adolescentes. Ele lembrou que a legislação foi atualizada, aumentando a pena caso o menor efetivamente consuma a bebida.
A coordenadora da Rede de Apoio à Escola, Luciana Medeiros, explicou que a comunidade escolar desenvolve um projeto em parceria com o Ministério Público, voltado à prevenção do consumo de álcool e do tabagismo. Trata-se de um fórum permanente, em que o tema é trabalhado com estudantes, educadores e famílias.
A psicóloga Aline Barros Brutti, do Núcleo de Saúde Mental, afirmou que não existe dose segura de álcool. “Quanto mais jovem a pessoa começa a consumir, maior é a probabilidade de desenvolver comportamentos abusivos e dependência”, alertou.
Os ouvintes também participaram e destacaram que o ambiente social tem grande influência. “A companhia diz muito sobre isso. Andar com pessoas que incentivam comportamentos errados e excessivos pode arrastar o adolescente para esse mundo”, observou um dos participantes.