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Geral

Sem Segredo: programa resgatou a memória de heróis e heroínas ocultos da história nacional

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

O Bicentenário da Independência do Brasil ganhou mais uma vez espaço na Rádio Uirapuru, através do programa Sem Segredo, do último sábado, que recebeu os professores de história Maurício Paim e Adelar Heinsfeldt para discorrer sobre os episódios históricos.

Maurício Paim destacou o papel de José Bonifácio e da Imperatriz Leopoldina, esposa de Dom Pedro I.  Disse ser indiscutível que a orquestração da independência do Brasil tenha passado por estas duas figuras que acabaram ofuscadas por Dom Pedro I, que torna-se o grande herói do feito histórico.

Explicou que José Bonifácio, segundo ele, foi o grande tutor de Dom Pedro.  E a imperatriz Leopoldina foi quem presidiu o conselho de ministros que decidiu pela Independência.  Uma das cartas que Dom Pedro recebe foi escrita por ela.  Para Paim, estes personagens e especialmente Leopoldina, ficaram ocultos da história porque a sociedade é patriarcal e os heróis são homens.

Paim considera que muitos aspectos da nossa história foram ensinados em sala de aula de uma forma imitadora pelas circunstâncias e usando o material que era disponibilizado. Mas, a partir do momento que a pesquisa se amplia, que os historiadores passam a ter acesso a documentos e outros materiais, muitas revelações são feitas, nos dando outro entendimento do processo.

Maurício também comentou sobre o quadro de Pedro Américo que retrata a Independência do Brasil, feito 66 anos depois.  Respeitando a ideia de homenagem do artista, o quadro que ficou no imaginário de todos como algo real, na verdade, não retrata o que de fato aconteceu.

O professor do Curso de História da UPF, Adelar Heinsfeldt reafirma que a Independência do Brasil não foi pacífica.  Só na Bahia, uma batalha reuniu mais de 18 mil combatentes, entre os quais mulheres como Maria Quitéria que se vestia de soldado para combater e a ex-escrava Maria Felipa, que liderou um grupo de mulheres e explodiu navios portugueses.  Também abordou a data escolhida para marcar o feito histórico, dizendo que existiram outras mais importantes do que o 7 de Setembro, mas que o dia foi escolhido apenas como um ritual de passagem.