Sem Segredo: Polícia Civil já registrou 620 ocorrências de violência contra mulheres desde janeiro
O número de medidas protetivas para mulheres vítimas de violência na regional da Patrulha Maria da Penha de Passo Fundo aumentou 99% entre 2021 e 2024. Somente neste ano, até o dia 14 de março, a Justiça emitiu 443 medidas protetivas. Cerca de 10% são do município de Tapejara, enquanto a grande maioria se concentra em Passo Fundo. Além disso, o número de ocorrências policiais registradas nos primeiros dois meses e meio do ano chegou a 620, resultando na prisão de 17 agressores. Os dados foram divulgados durante o programa Sem Segredo da Rádio Uirapuru, que recebeu a delegada da Mulher, Rafaela Bier, a coordenadora do Projur Mulher e Diversidade, Josiane Petry Faria, e o comandante da Patrulha Maria da Penha, Tenente Erlon Cesar de Paulo.
O Tenente Erlon destacou que os números de Passo Fundo superam os da capital Porto Alegre e da região de Caxias do Sul. No entanto, ele ressaltou que isso não significa necessariamente que há mais crimes de violência contra a mulher na região, mas sim que há mais denúncias e menos subnotificações. Ele elogiou a rede de apoio existente em Passo Fundo e explicou que o trabalho da Patrulha Maria da Penha é fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas, garantindo a segurança das vítimas. Ouça o que disse o Tenente:
A delegada Rafaela Bier afirmou que a Polícia Civil está preparada para atender mulheres vítimas de violência, oferecendo todo o suporte e orientação no momento do registro da ocorrência, além de preservar a privacidade da vítima em um momento tão delicado. Ela enfatizou que a violência contra a mulher é uma questão que deve ser combatida por toda a sociedade, que passa pela educação e que é fundamental denunciar às autoridades qualquer caso de agressão, mesmo que a vítima não queira formalizar a queixa. Confira um trecho da fala da delegada:
A soldado Silvia, integrante da Patrulha Maria da Penha, destacou que as mulheres vítimas de violência têm idades que variam de 14 a 80 anos. Embora o companheiro seja o principal agressor em muitos casos, também há situações em que filhos, netos e outros membros da família são os responsáveis pela agressão. O problema é cultural, com ciclos de violência doméstica que se perpetuam ao longo das gerações, segundo disse a soldado Silvia.
A coordenadora do Projur Mulher e Diversidade, Josiane Petry Faria, reforçou a importância de as mulheres não terem medo ou vergonha de denunciar a agressão e o agressor. Ela citou o caso da francesa Gisele Pellicôt, que denunciou o próprio marido após décadas de abusos. O ex-companheiro admitiu tê-la drogado entre 2011 e 2020 para deixá-la inconsciente e estuprá-la, além de permitir que dezenas de desconhecidos, contatados pela internet, também a agredissem. O caso chocou o mundo e serve como um alerta para a importância de romper o silêncio e buscar justiça, conforme falou Josiane Petry Faria:
O aumento no número de denúncias e medidas protetivas em Passo Fundo reflete um avanço na conscientização sobre a violência contra a mulher e a necessidade de combatê-la. No entanto, os dados também evidenciam a urgência de políticas públicas e ações efetivas para proteger as vítimas e romper o ciclo de violência que afeta tantas famílias.