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Sem Segredo: para ouvintes, racismo existe e morte no Carrefour foi despreparo e ódio

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto
Sem segredo: para ouvintes racismo é pontual e morte no Carrefour foi despreparo
Sem segredo: para ouvintes racismo é pontual e morte no Carrefour foi despreparo

A morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, morto espancado no supermercado Carrefour, em um bairro da zona norte de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra, trouxe para o Brasil novamente a discussão em torno do racismo.  Nos últimos dias, diversos protestos foram registrados em todo o país, pedindo por Justiça e também pelo fim do racismo sistêmico que existe no Brasil.

O Sem Segredo do último sábado (28) debateu o assunto e perguntou: Você acha que o Brasil é um país racista? Participam do programa a pedagoga e membro do Movimento Negro, Edivânia Rodrigues da Silva.  O representante do Movimento Negro, Arthur Bispo e o representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Leandro Scalabrin. O Sem Segredo teve apresentação de Zulmara Colussi. Durante o programa os ouvintes manifestaram sua opinião através dos telefones ou por mensagem.

 

Na opinião dos ouvintes,  a morte ocorrida no Carrefour em Porto Alegre foi fruto do despreparo dos seguranças na situação.  Se houve um início de conflito por alguma questão racista, para os ouvintes, tratou-se de um fato isolado e não representa a maioria. Os ouvintes lembraram que o país é acolhedor de estrangeiros, tendo aqui povos de muitas raças.  Citaram até mesmo o acolhimento dos senegaleses, que vivem com tranquilidade no Brasil e em Passo Fundo.  Os ouvintes também destacaram que é preciso educar as pessoas e preparar para não agir apenas com o ódio, pois este atinge qualquer raça.

 

O representante do Movimento Negro, Arthur Bispo disse que não é possível tolerar que a história seja esquecida sobre a perseguição e ataques contra os negros ou negar o racismo.  Disse que o Brasil sempre foi racista, pois tem em seu passado a escravidão e massacre dos povos indígenas. Para Bispo é preciso ter consciência disso, discutir e trabalhar para mudar esta triste realidade.  Citou que as mortes violentas de negros representam mais de 70% no país, deixando claro o problema.

 

A pedagoga e membro do Movimento Negro, Edivânia Rodrigues da Silva, disse que é preciso compreender o processo da naturalização da morte da população negra.  Disse que, no caso da morte ocorrida no Carrefour, fica explícito que para a sociedade o negro é o sujo, o feio, o que está fazendo algo errado e que não deveria estar ali.  Não foi apenas o crime de morte, ele foi julgado e condenado de forma diferente.  Questionou que o homem não teve direito de defesa legal como qualquer pessoa.  Alertou que a vítima deveria ter sido colocada para fora do estabelecimento e simplesmente chamado a polícia, mas nunca agredido até a morte.