Sem segredo: Para ouvintes a justiça demorou e mais pessoas deveriam estar no banco dos réus do caso Kiss
Após quase nove anos, iniciou na última semana o júri popular de quatro acusados pelo incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, no dia 27 de janeiro de 2013. Mauro Hoffmann e Elissandro Spohr, proprietários do estabelecimento, Marcelo de Jesus, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, e o produtor Luciano Bonilha, responsáveis pela apresentação pirotécnica, respondem pela morte de 242 pessoas e por 636 tentativas de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Entre os motivos da demora está a mudança na cidade do julgamento. Esta demora traz um sentimento, para algumas pessoas, de que a justiça perdeu o seu tempo, ainda que haja condenações.
Diante disso o programa Sem Segredo do último sábado fez a pergunta: “depois de tanto tempo, tem como fazer justiça no caso da Boate Kiss ou demorou demais?” Apresentado por Luciano Azevedo, o programa contou com os convidados: advogado José Paulo Schneider e a psicóloga Michele Minozo. Para o advogado José Paulo Schneider a justiça atrasada não é justiça. A demora de anos não é uma exclusividade do caso Kiss, mas neste fato escancara uma deficiência do judiciário e que precisa ser revista: a demora até a chegada da etapa final, do julgamento.
A psicóloga Michele Minozo disse que refletiu muito sobre a pergunta do programa. Ela questiona de que justiça se está falando. O que seria justo diante de uma tragédia do tamanho da ocorrida na Boate Kiss? Qual a justiça para quem perdeu familiares, para a sociedade e para quem é réu? Para Michele é preciso analisar qual a justiça que se busca nestes diferentes campos, sem esquecer das questões morais da sociedade.
Para os ouvintes que participaram do programa, há pessoas que foram condenadas perpetuamente muito antes do júri. Eles se referem a quem ficou sem um parente, com uma sequela grave, sem um membro e impedido de levar seus sonhos adiante. Os ouvintes acreditam que as condenações devem ocorrer contra os quatro réus, mas também se estender aos órgãos que autorizaram o funcionamento da boate, pois nada trará de volta os danos da tragédia. Os ouvintes creditam que, mesmo com a demora, faltam pessoas no banco dos réus, mas ainda que atrasada, a justiça precisa e deve penalizar todos os culpados.