Sem Segredo: ouvintes acreditam que o respeito é a chave para acabar com o preconceito
O Papa Francisco pediu que os pais não condenem seus filhos por causa da orientação sexual. Também afirmou que é preciso oferecer apoio a essas pessoas, que muitas vezes são vistas como diferentes. O pontífice fez este comentário em uma audiência semanal no Vaticano, referindo-se às dificuldades dos pais na criação dos filhos.
Em outros momentos, o Papa já havia dito que os homossexuais têm o direito de serem aceitos por suas famílias como filhos e irmãos. Além disso, também já defendeu que eles tenham proteções legais no que diz respeito à esfera civil. Neste sentido, o Sem Segredo do último sábado (29) abordou o assunto e perguntou: o Papa diz que jovens não podem ser condenados pela orientação sexual, mas o preconceito ainda existe: como acabar com isso?
Muitos ouvintes participaram através de mensagens e ligações. Houve discordância e concordância com a fala do Papa. Ouvintes disseram que Deus deu o livre arbítrio para que cada um fosse responsável pelas próprias escolhas e que um dos principiais mandamentos é amar um aos outros como a si mesmo. O tema polêmico aflorou as divergências de opiniões. Para os ouvintes o respeito é a chave para acabar com o preconceito contra a orientação sexual das pessoas e o tema deve ser debatido ainda mais.
Ouça a participação dos ouvintes:
O Arcebispo Dom Rodolfo Luís Weber, relata que este é um tema desafiador não só para a igreja católica, mas para toda a sociedade. Conforme ele, a fala do Papa Francisco é baseada na recomendação da igreja, escrita no livro do catecismo da igreja católica. Ele cita um trecho do texto que fala que “não são eles que escolhem sua condição homossexual, estes devem ser acolhidos com respeito, compaixão, delicadeza e evitar todo o sinal de discriminação”. O Arcebispo destaca que isso deve ser repetido muitas vezes para que a palavra seja conhecida e ajude a modificar comportamentos que são discriminatórios.
Ouça a entrevista com o Arcebispo Dom Rodolfo Luís Weber:
Conforme o jornalista, especialista em Ciências Sociais, Comunicação e ativista LGBT, Cristian Puhl, a igreja católica vem sinalizando uma ruptura nas estruturas sociais. E com a declaração do Papa isto fica ainda mais em evidência. Pois uma declaração vinda de uma igreja milenar mostra que a mesma vem buscando trabalhar as questões que fazem parte do contexto atual da sociedade.
Ele destaca que a fala do Papa de que não se pode condenar alguém por sua orientação sexual vem sendo trabalhado há muito tempo pelo Movimento Social de Luta por Direito e Reconhecimento de Orientações Sexuais e Identidade de Gênero. Pouhl explica a escolha sexual não é passível de condenação, pois o individuo não comete nenhum tipo de crime.
No Brasil não temos legislações que criminalizem a orientação sexual, pelo contrário, temos legislações que criminalizam o preconceito. O especialista finaliza dizendo que a fala do papa é um importante passa na luta contra o preconceito pela orientação sexual.
Ouça a entrevista com o jornalista, especialista em Ciências Sociais, Comunicação e ativista LGBT, Cristian Puhl: