Sem Segredo: não há solução fácil para pessoas em situação de rua
Não existe solução mágica para o grave problema social que envolve pessoas em situação de rua. Trabalhar a causa do problema e oferecer atendimento humano para emancipar estas pessoas são caminhos que passam por uma estrutura complexa da Assistência Social.
O programa Sem Segredo deste sábado tratou do tema com o secretário municipal de Cidadania e Assistência Social, Saul Spinelli, e com a professora da área de Assistência Social da UPF, Cristina Fioreze.
Segundo Spinelli, o município de Passo Fundo é um dos poucos no Rio Grande do Sul que tem a gestão plena na Assistência Social, assumindo para si todo atendimento envolvendo a área. A gestão plena é benéfica no sentido de que não depende dos governos estadual e federal para realizar o trabalho. Mas, também tem mais responsabilidade de arcar com recursos para dar conta dos atendimentos.
Atualmente entre 80 e 90 pessoas estão cadastradas em situação de rua em Passo Fundo e atendidas em serviços como Centro POP, que registra média de 200 atendimentos por mês. O Centro POP é um dos cinco Centros existente no Estado. A Casa de Acolhimento também é outro serviço e só no ano passado registrou 7,3 mil pernoites e serviu e 5,3 mil refeições. O prefeito Pedro Almeida determinou revitalização no espaço para melhor atender as pessoas que precisam do serviço.
Cerca de 70% dos moradores em situação de rua são de outras cidades da região. O município de Passo Fundo acolhe estas pessoas e, em muitos casos, encaminha para suas cidades de origem.
A gestão plena também inclui o ambulatorial na rua e a permanente abordagem. Só no ano passado foram 3,8 mil abordagens, 95 internações por problemas de alcoolismo ou drogas. Mesmo com todo este trabalho, retirar essas pessoas da rua é um trabalho difícil e permanente. Ouça o que diz o secretário:
A professora de Serviço Social da UPF, Cristina Fiorezi, disse que as pessoas têm uma tendência de achar que o problema é dos outros e não delas. Isso porque a pobreza incomoda ao ponto de transformar esses individuais em seres invisíveis, da mesma forma torna invisíveis quem trabalha com a vulnerabilidade.
Ela explicou que o trabalho que é feito com pessoas em situação de rua é técnico até ao ponto de a pessoa conseguir tomar suas próprias decisões. A professora complementa: