SEM SEGREDO: Na mesma proporção que cresce a população idosa, aumenta o preconceito e a violência.
O IBGE aponta que, em 2050, o Brasil terá 30% da sua população acima de 60 anos. Isso indica uma aceleração na inversão da pirâmide etária. Estamos caminhando para ter mais velhos do que jovens, no país. Esta condição já preocupa países desenvolvidos e deve ser olhada com atenção pelo Brasil, porque na medida em que a população vai envelhecendo, os problemas decorrentes disso também aumentam. Faltam políticas públicas para o cuidado com o idoso, há violência crescente contra a população idosa seja ela física, psicológica ou patrimonial. Passo Fundo tem mais de 35 mil pessoas acima de 60 anos, representando 17% da população.
O tema envelhecimento foi tratado no Programa Sem Segredo deste sábado, porque infelizmente, apesar de Passo Fundo ser apontada como a 17ª cidade brasileira para melhor envelhecer, ainda o preconceito e a violência tem indicadores preocupantes. O Ministério Público, por exemplo, abriu 320 expedientes no ano passado para investigar situações como agressões físicas, psicológicas e financeira ou ausência de prestação de serviço pela rede pública.
Em três meses deste ano, já foram apertos 100 procedimentos investigatórios, segundo o Promotor de Justiça, Denilson Belegante. A presidente do Conselho Municipal do Idoso, Suayla Spiller Peruzzo reforçou que os órgãos públicos recebem as denúncias e fazem um trabalho de proteção dos idosos. No entanto, muitas vezes, por vergonha, ou até por estarem sendo ameaçados, estes idosos não fazem a denúncia.
A assistente social e professora da UPF, Cristina Fioreze, disse que para a sociedade, envelhecer envolve muito preconceito porque se vende a ideia da eterna juventude. Neste contexto, as mulheres sofrem mais porque são cobradas a estarem sempre bem esteticamente. Para ela, é preciso mudar esta lógica desde cedo e dentro das famílias. A ideia de envelhecer é inerente à vida e isso não vamos mudar. A professora também destacou a necessidade de pessoas acima do 60 anos se manterem ativos no mercado de trabalho.
O programa também ouviu o médico André Kuhn que deu dicas de como ter uma velhice com autonomia e mais saúde. Segundo ele, os cuidados para uma velhice saudável devem começar cedo e ainda na juventude. Passa por atitudes positivos, alimentação balanceada e movimentar o corpo. O médico alerta que teoricamente as nossas articulações foram programadas para durar 65 anos e para proteger este desgaste natural é importante fortalecer a musculatura.
Os ouvintes também participaram. A Maria defende que as pessoas devem trabalhar até quando puderem, mas reclama do preconceito.Já o ouvinte Ferrari considera que 98% da violência patrimonial acontece dentro de casa.