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Cidade

Sem Segredo: mudanças de objetivos e salários são desafios para atrair novos trabalhadores

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

Passo Fundo é um polo regional em diversos setores e está em plena expansão. No entanto, há anos um problema relatado por empresários preocupa o setor: a falta de mão de obra, especialmente a qualificada.

Entre as áreas mais atingidas destacam-se a construção civil e a indústria. Os empresários, junto ao poder público, têm feito grandes esforços. A cidade conta com a Escola das Profissões e há convênios com empresas para que interessados façam cursos já direcionados a áreas com déficit de profissionais, garantindo a essas pessoas uma contratação imediata.

No entanto, ao mesmo tempo, observa-se uma resistência por parte dos mais jovens em relação às áreas técnicas. Esse cenário desafiador foi tema do programa Sem Segredo, no último sábado, na Uirapuru, que levantou a pergunta: Na sua opinião, por que faltam trabalhadores no Brasil?

Apresentado pela jornalista Taís Rizzotto, o programa recebeu o presidente do Sinduscon, Cristiano Basso; a gerente de Desenvolvimento Humano do Comercial Zaffari, Valquíria Silva; e a economista e diretora da Escola de Ciências Agrárias, Inovação e Negócios, Dra. Cleide Moretto. Os participantes, de diferentes áreas, compartilharam suas visões sobre o que tem provocado esse chamado “apagão” de mão de obra.

O presidente do Sinduscon, Cristiano Basso, comentou que, na construção civil, existia a cultura de os pais levarem os filhos para esse setor. O profissional levava o filho como servente, que depois migrava para uma especialização. Hoje, isso praticamente não ocorre mais. No passado, não havia acesso à informação; hoje, os jovens pesquisam, buscam alternativas e priorizam o que mais os agrada — diferente de antigamente, quando as opções eram mais limitadas e voltadas a atividades braçais.

A economista e diretora da Escola de Ciências Agrárias, Inovação e Negócios, Dra. Cleide Moretto, explicou que a demanda por mão de obra industrial mudou de foco com o avanço da automação. Hoje, os postos de trabalho exigem outros atributos: mais especialização e domínio tecnológico.

Do ponto de vista econômico, as famílias mudaram: têm menos filhos, expectativas diferentes e novas exigências. Cleide citou o exemplo de trabalhos mais braçais, como na construção civil, e afirmou que muitos pais já não sonham mais com essa trajetória para os filhos — por dois principais motivos: a percepção de precariedade da profissão e a baixa remuneração. Esses fatores estão sendo rejeitados pelos jovens, que buscam alternativas mais alinhadas aos seus ideais.

A gerente de Desenvolvimento Humano do Comercial Zaffari, Valquíria Silva, comentou que os profissionais da psicologia com quem conversa relatam mudanças nas questões trazidas pelos jovens aos consultórios. Segundo ela, são adolescentes que chegam sem uma noção clara de seu papel na sociedade, sem estrutura emocional, tentando descobrir quem são — o que resulta na falta de ambição para construir uma carreira ou seguir caminhos de longo prazo. Esse comportamento pode explicar, em parte, a falta de interesse dos jovens em determinadas áreas profissionais.

Já os ouvintes da Rádio Uirapuru participaram trazendo suas percepções. Em geral, apontaram que muitas vagas não preenchidas não são economicamente atrativas, principalmente diante do aumento constante no custo de vida.

Um dos ouvintes relatou que tem uma empresa há 25 anos e afirmou que hoje falta um salário atrativo para as pessoas. Segundo ele, as empresas não têm grande retorno financeiro, e, por isso, não conseguem oferecer bons salários, o que acaba tornando muitas vagas pouco atraentes.