Sem Segredo: maioria dos ouvintes não acha que a Reforma da Previdência é uma proposta justa para o trabalhador
O governo entregou na última quarta-feira (20) ao Congresso Nacional a proposta de Reforma da Previdência. Uma das mais complexas e completas dos últimos tempos. A proposta cria uma idade mínima de aposentadoria, sendo que ao final do tempo de transição, deixa de haver a possibilidade de aposentadoria por tempo de contribuição. Para mulheres, a idade mínima de aposentadoria será de 62 anos, e para homens, de 65. Beneficiários terão que contribuir por um mínimo de 20 anos. De acordo com o texto, haverá três regras de transição para a aposentadoria por tempo de contribuição para o setor privado (INSS). Há regras específicas ainda para professores, deputados federais e senadores, agentes, Forças Armadas, policiais e bombeiros militares.
Por isso, o Sem Segredo deste sábado (22) perguntou qual o impacto que uma mudança como esta vai causar na vida dos trabalhadores e se os ouvintes consideram a proposta justa. Participaram do programa o advogado Gelson Acadrolli e o presidente do Sindicato dos Bancários, Dário Delavy. A maioria dos ouvintes não acha que a Reforma da Previdência é uma proposta justa para o trabalhador. Afirmaram que é uma conta que o povo terá que pagar. Os ouvintes temem, inclusive, que, com a reforma, muitos acabem nem chegando a se aposentar. Pediram comparativos em relação a reforma anterior para que se veja o que melhorou e o que piorou na nova, já que teve mudanças significativas.
O advogado Gelson Acadrolli afirmou que a atual Reforma da Previdência teve seis páginas de alterações para a antiga, muitas delas confusas. Declarou que, por não ser uma continuidade na reforma que o ex-presidente Michel Temer propôs, ainda existem muitos caminhos a serem tomados até a atual reforma ser finalizada. Disse que não está em destaque o Fundo de Garantia, mas que, segundo a nova reforma, o trabalhador se aposenta e caso continue trabalhando, não precisará rescindir contrato e fazer um novo. Porém, segundo Acadrolli, com a alteração o aposentado não terá 40% de multa garantidos se for demitido. Ele acredita que a justificativa para isso é a oportunidade de dar trabalhos a pessoas de mais idade, porém, a regra não é bem clara. Além disso, o cálculo de benefícios também causa uma grande preocupação, principalmente na questão de qual é o momento exato para se aposentar.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários, Dário Delavy, a nova Reforma da Previdência causará uma grande mexida na vida das pessoas, principalmente as com menos condições financeiras. Por outro lado, segundo Delavy, o sistema econômico, principalmente no setor bancário, vai se beneficiar. O presidente discordou de algumas questões apresentadas pelo governo e disse que cerca de R$ 466 bi que o governo quer economizar sairá do bolso de quem recebe menos, atingindo, principalmente, os trabalhadores, já que endurece ainda mais as possibilidades de conseguir aposentadoria para conseguir 100 por cento do que está contribuindo. Disse que atualmente o empregado vive no trabalho pelo menos 55 anos, devido à rotatividade de empresas, que diminui o tempo de contribuição, fazendo com que o trabalhador se aposente com 6070 anos. Declarou estar espantado como a população ainda parece estar em processo eleitoral, disputando entre si e não pensando em olhar para o país como um todo, analisando propostas e tentando melhorá-las.