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Geral

Sem Segredo: maioria dos ouvintes diz que só usaria cloroquina com aval de um médico

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O Ministério da Saúde incluiu nesta semana a cloroquina e seu derivado hidroxicloroquina no protocolo de tratamento para pacientes com sintomas leves de covid-19. De acordo com o documento divulgado pela pasta, cabe ao médico a decisão sobre prescrever ou não a substância, sendo necessária também a vontade declarada do paciente, com a assinatura do Termo de Ciência e Consentimento. O documento admite que não há comprovação de eficácia, mas estabelece que o paciente precisa autorizar o uso de cloroquina para tratar a doença.

Por isso, o Sem Segredo deste sábado (23) perguntou se os ouvintes achavam que a cloroquina pode ajudar a curar a covid-19.

Participaram do programa o médico e diretor do curso de Medicina da IMED, Luiz Arthur Rosa Filho, o médico e diretor do curso de Medicina da Universidade Federal Fronteira Sul, Júlio Stobbe, e o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Neubath Trindade.

A maioria dos ouvintes declarou que só usaria cloroquina no tratamento contra o coronavírus com prescrição médica. Afirmaram que cada um tem liberdade para usar, mas que cada caso depende de cada pessoa. Outros ouvintes afirmaram que a cloroquina pode ser mais uma ferramenta para sobreviver em casos de coronavírus.

Ouça o que disseram os ouvintes:

O médico e diretor do curso de Medicina da IMED, Dr. Luiz Arthur Rosa Filho, explicou que a mudança do Ministério da Saúde afeta, principalmente, a rede pública, na medida que se insere a possibilidade de prescrição na rede básica. De acordo com ele, dificilmente os pacientes que evoluíram desfavoravelmente em Passo Fundo não tiveram o uso de cloroquina no seu tratamento.

Dr. Luiz Arthur ressaltou que a droga está sendo usada no município em situações muito graves, mas que há dimensões éticas que precisam sempre ser consideradas antes de fazer um “uso de desespero”, onde é necessário usar todas as ferramentas possíveis para ajudar o paciente.

Por isso, segundo o médico, no momento que o ministério mudou seu protocolo para uso da cloroquina também em casos leves, ele veio com termos insuficientes, já o remédio aumenta riscos cardiovasculares. Aumentando esses riscos, será preciso ter um eletrocardiograma para todos que usarem a cloroquina, o que, muito provavelmente não será possível.

Ouça o que disse o médico e diretor do curso de Medicina da IMED, Dr. Luiz Arthur Rosa Filho:

Para o médico e diretor do curso de Medicina da Universidade Federal Fronteira Sul, Dr. Júlio Stobbe, o protocolo trouxe mais problemas do que soluções. Ressaltou que em casos graves e hospitalizados o uso da hidroxicloroquina já está sendo realizado, mesmo sem as pesquisas terem comprovado sua eficácia. Porém, em usos precoces, os pacientes com sintomas podem até mesmo melhorar sem precisar utilizar medicamento, por isso é arriscado usar a droga em larga escala sem mesmo saber se a pessoa tinha ou não coronavírus.

Segundo Stobbe, infelizmente, os estudos mostram que o remédio não funciona e hipóteses e dúvidas podem ajudar a organizar estudos, mas não a colocar um tratamento em prática.

Ouça o que disse o médico e diretor do curso de Medicina da Universidade Federal Fronteira Sul, Dr. Júlio Stobbe: