Sem Segredo: maioria dos ouvintes confia na segurança das urnas eletrônicas
A primeira eleição totalmente eletrônica no Brasil ocorreu em 2002. Foi uma revolução no país, por provocar uma mudança histórica na forma como as eleições são realizadas. As cédulas de papel foram aposentadas e o ato de votar se tornou rápido e com possibilidade de divulgação de resultados em poucas horas.
Desde então, surgiram dúvidas sobre a segurança desse sistema e das urnas eletrônicas. Vários projetos e até leis foram aprovadas para que o voto impresso fosse implementado em conjunto com a votação eletrônica. Ao longo dos últimos 20 anos, esse debate é permanente no Brasil.
No programa Sem Segredo da última semana, a maioria dos ouvintes manifestou confiança nas urnas eletrônicas e no atual sistema adotado no país. Os que são favoráveis a impressão do voto afirmaram que seria uma garantia de segurança de que o voto do eleitor não foi alterado na urna.
Participando do programa, o advogado Bruno Webber do Amaral, especialista em Direito Eleitoral, fez um histórico da votação eletrônica no Brasil e citou tentativas de implementação do voto impresso ao longo dos últimos anos.
Ele lembrou que, em 2002, no Distrito Federal e em Sergipe, foi realizado um projeto-piloto onde o eleitor votava e poderia posteriormente consultar seu voto impresso. No entanto, esse sistema elevou o tempo de votação e os custos das eleições.
Segundo Amaral, no Brasil as leis aprovadas que obrigavam a implementação do voto impresso foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Explicou que a implantação do voto impresso demanda tempo e não poderia ser de uma eleição para outra. Além da questão dos equipamentos, seria necessário definir as regras e de que forma esse mecanismo funcionaria, a fim de preservar o sigilo do eleitor.
A ex-senadora Ana Amélia Lemos propôs durante seu mandato uma alternativa para o voto impresso no Congresso Nacional. Ela defende que esse debate é muito necessário e precisa avançar. A sua proposta foi protocolada em 2014 e o objetivo era permitir que um mecanismo fosse acoplado a urna para conferência do voto.
Ana Amélia sustenta que a urna eletrônica trouxe avanços reconhecidamente, no entanto, a cada eleição a dúvida sobre a segurança do sistema e boatos de frandes surgem com muita força. Ela frisa que, se for para acabar com essa insegurança, vale o investimento no sistema impresso.