Sem Segredo: maioria dos ouvintes apoiam a realização dos rodeios no Rio Grande do Sul
Na semana passada o deputado estadual Rodrigo Maroni (PSDB) anunciou que vai protocolar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul um projeto de lei para acabar com os rodeios gaúchos. Segundo ele, as festas campeiras não têm origem na cultura de campo, sendo “importados” dos Estados Unidos. O deputado ainda considera os eventos um absurdo por terem animais que podem ficar tetraplégicos e também são maltratados.
A Rádio Uirapuru conversou na última semana com o coordenador da 7ª Região Tradicionalista, Verceli de Oliveira, que analisou o anúncio e definiu a ideia do deputado como sem fundamento./ Na visão do coordenador, o deputado só queria chamar atenção e causar polêmica. Neste sentido, o programa Sem Segredo do último sábado (07) perguntou: você acha que os rodeios e tiros de laço devem ser proibidos no Rio Grande do Sul?
De acordo com o representante da Associação Passo-fundense de Proteção aos Animais (Compata), Caca Nedel, o rodeio em si não precisa ser proibido ou terminado. Além do tiro de laço, o rodeio envolve apresentações artísticas, danças, shows, a cultura do Rio Grande do Sul, entre outras atividades tradicionais. Nedel acredita que o rodeio pode acontecer sem a utilização dos animais, mantendo apenas a parte cultural e artística. Ele explica que os ativistas da causa animal não concorda com o uso dos bichos de nenhuma forma, seja para diversão, trabalho ou para apresentações que possam causar maus-tratos.
Caca Nedel acredita que o tiro de laço que acontece no Rio Grande do Sul é menos cruel do que o rodeio realizado na região sudeste do Brasil, onde os eventos buscam imitar o rodeio dos Estados Unidos e, de acordo com o ativista, ocorre um festival de maus-tratos aos animais.
De acordo com o presidente da Câmara de Vereadores, tradicionalista e narrador de rodeios, Evandro Meireles, o rodeio precisa ser mantido e nunca pode terminar. Meireles destaca que o evento muitas vezes foi a fonte de renda da família, além do valor sentimental que o tiro de laço representa, trazendo a história do nosso Estado, que foi feito às patas de cavalos, destaca o narrador. O rodeio tem ainda um cunho social importante para as crianças e para as famílias, onde valores e conhecimento são repassados de geração para geração.
Evandro Meireles destaca ainda, ao defender a realização dos rodeios, a questão econômica. Quando um tiro de laço acontece em alguma cidade, muitas pessoas de outras regiões vão participar, movimentando comércio, hoteis, alimentação, combustíveis, entre outros, fortalecendo a economia daquele local e toda uma cadeia econômica depende da festividade. Além disso, o narrador frisa que os rodeios precisam seguir uma série de normal e regras para serem realizado. O tiro de laço não é organizado de qualquer maneira e tudo que acontece é monitorado e fiscalizado pelas autoridades competentes.
A maioria dos ouvintes também defenderam a realização do rodeio no Estado. Conforme eles, se proibir o evento aqui, ele será realizado em outros locais e todo o dinheiro que poderia circular vai junto. Segundo os ouvintes, tem coisas mais importantes que os deputados devem se preocupar e dar prioridade. Eles defenderam ainda que o rodeio movimenta a economia, gera emprego e renda e ainda leva cultura para as crianças e famílias que participam dos eventos.